ATM: Valor da OPA ao BPI deveria ser de 3,15 euros

A associação de pequenos investidores fez as contas à oferta do CaixaBank. Diz que o preço justo da OPA é muito superior aos 1,134 euros.

O CaixaBank oferece 1,134 euros por cada ação do BPI. É um valor que a ATM, a associação dos pequenos investidores, considera baixo, especialmente depois da transferência de controlo do BFA para a Santoro. O preço justo? 3,15 euros, mas por pouco mais de dois euros já não haveria problemas.

Octávio Viana, o presidente da ATM, explica que na base da discórdia relativamente ao valor da contrapartida está o BFA. “Estamos numa terceira OPA, desta vez obrigatória, que resulta da desblindagem dos estatutos. Essa desblindagem só foi possível por causa da Santoro, de Isabel dos Santos. E é possível fazer ligação entre a venda de 2% do BFA e a desblindagem”.

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Octávio Viana (à direita), presidente da ATM, diz que na base da discórdia está o BFA

“A Unitel comprou 2% do BFA. Comprou o controlo do BFA. O BPI reclamou o prémio nos 2% mas não sobre os restantes. Os acionistas do BPI ficaram privados desse prémio de controlo. Se distribuirmos esse valor, conseguimos chegar a um valor ligeiramente superior ao da OPA, mas isto sem controlo”, referiu num encontro com jornalistas em Lisboa.

Aquilo que o BPI “tinha antes e tem agora… há uma diferença de 600 milhões de euros. São mais 2,12 euros por ação. Chegamos assim a um valor justo da OPA de 3,15 euros. É elevado. É um esforço financeiro para o CaixaBank, mas o próprio BPI há um ano avaliava os títulos em 2,26 euros”.

É neste sentido que a ATM solicita a intervenção do regulador através da nomeação de um auditor independente. “Se houve auditor independente, a probabilidade de estipular os 3,15 euros… não vejo forma de um auditor se afastar muito deste valor”, diz Octávio Viana. Mas “os 2,26 euros poderiam evitar processos judiciais”.

Se não houver um auditor independente, partimos para a litigância. E isso demora. E o BCE atuará. Quem perde é o CaixaBank, o BPI e os seus investidores… Vai retirar valor a todos”, sublinha, acrescentando que o regulador está ciente disso.

“Falámos com o regulador. Está ciente disto. Concorda que a resolução do problema tem de passar por um acordo alargado entre todos os acionistas. Isto significa que terá de haver uma subida da contrapartida que agrade aos minoritários e que não ponha em causa do CaixaBank”, remata.

Nao vejo conflito de interesses. A Dr. Gabriela é uma pessoa com grande retidão que consegue distanciar-se

Octávio Viana

presidente da ATM


Octávio Viana também reagiu à notícia avançada pelo ECO este final de semana que dava conta que Gabriela Figueiredo Dias, a nova presidente da CMVM, pediu escusa em relação a decisões do regulador sobre o BPI.

A justificação é simples. O pai, Jorge de Figueiredo Dias, é vogal do Conselho Fiscal do banco liderado por Fernando Ulrich, o que deixa a nova presidente da CMVM pouco confortável quando o assunto em causa está relacionado com vida do BPI.

O presidente da ATM disse que a sua associação reuniu-se com Gabriela Figueiredo Dias e que não vê qualquer incompatibilidade. “Nao vejo conflito de interesses. A Dr. Gabriela é uma pessoa com grande retidão que consegue distanciar-se. (…) Que tome a iniciativa de se afastar, é uma decisão dela”, afirmou Octávio Viana.

“Confiamos na CMVM. Se há entidade que tem técnicos responsáveis é a CMVM”, rematou Viana.

As ações do BPI seguem esta manhã a negociar em alta de 0,27% para os 1,133 euros.

(Notícia atualizada às 11h55 com mais informação)

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