Nadar no sucesso: o negócio das sereias

  • Juliana Nogueira Santos
  • 27 Outubro 2016

O imaginário mitológico tem sido revisitado por muitos empreendedores que não querem deixar passar a onda. Sereia profissional chega a ganhar 1.000 dólares por performance.

A literatura nunca nos deu uma boa imagem das sereias: estas figuras mitológicas eram sempre responsáveis pela desgraça de muitos homens que, encantados pela sua voz e pelas suas formas femininas, perdiam o rumo e até a vida. Homero descrevia-as como “demónios marinhos, meio mulheres, meio pássaros que encantavam com a sua música e atraíam com o seu canto os viajantes”. Contudo, Linden Wolbert, que se descreve como uma entrepremermaid — em português qualquer coisa como empreensereia –, quer mostrar que as sereias, mais do que inofensivas, são bastante rentáveis.

A americana conseguiu transformar um fascínio de infância num negócio: há dez anos criou uma cauda de silicone e começou a fazer uns vídeos para o seu canal de YouTube, praticando o mermaiding. Desde aí, os pedidos de eventos não têm parado: festas de anos, videoclips, filmes, presenças em festas de famosos, quer em piscinas, quer em aquários e no mar.

Para isto é precisa muita preparação física, visto que só a cauda pesa cerca de 21 quilos, juntando-lhe a dificuldade de a mover debaixo de água e a necessidade de suster a respiração — proeza que cumpre durante cinco minutos. Em entrevista à Bloomberg, afirma que conheceu Michael Phelps no ano passado e aproveitou para o desafiar para uma corrida, desafio que o medalhista olímpico recusou.

Mas vamos aos números: uma performance da Sereia Linden começa nos 1.000 dólares. Contudo ela afirma que consegue ganhar mais por hora “do que muitos advogados que conhece“. Além disto, o seu canal de YouTube, que conta com cerca de 55 mil subscritores e 66 milhões de visualizações, já lhe traz rendimentos na casa dos quatro dígitos por mês. E tudo isto começou com uma cauda que lhe custou 20.000 dólares a construir.

O seu mais recente negócio foi uma encomenda de uma das maiores cadeias de supermercados americanos, a Walmart, de 58.000 exemplares da sua barbatana para crianças — a junção de duas barbatanas de natação de forma a parecerem uma cauda. Wolbert vai vender também a parte de cima, uma espécie de saia com padrão de escamas, separadamente. Esta vai estar disponível este Natal, a tempo de ser pedida por inúmeras crianças em todo o mundo.

O exemplo tem sido seguido por muitos outros empreendedores, que têm aberto escolas de sereias pelo mundo fora, acompanhando a crescente procura de serviços.

Ainda assim, a vida de sereia não é sempre magnífica: “Tens de tolerar o cloro e o sal nos olhos e mantê-los abertos como se não houvesse problema”, afirma Wolbert. Mas vai haver sempre quem queira fazer parte deste imaginário.

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