Web Summit: Recebi um alemão em casa. Não foi Schäuble

Levámos a peito a vontade de fazer networking motivados pelo Web Summit. Recebemos um alemão nos nossos aposentos. Mas não houve resgate: não recebemos o ministro das Finanças, Schäuble.

O Web Summit é um evento que tem na base o networking. Isso implica que, por exemplo, Paddy Cosgrave começou todos os dias com uma atividade: pedia aos participantes para se levantarem e falarem com a pessoa ao lado. O ECO recebeu em casa, através de uma plataforma de CouchSurfing, um jovem alemão que veio ao WS ser voluntário.

Decidido a incorporar o mote do Web Summit, recebi em casa Christian Czapka. É jovem — tem 22 anos –, alemão — vive em Munique –, e estuda e trabalha ao mesmo tempo na BMW. É, pelo que me contou, um cliché alemão: o gigante automóvel está a servir de caso de estudo para a tese sob o tema “Qualitative Planning in the area of additive manufacturing”.

Tal como muitos outros jovens que chegaram ao Web Summit para fazer voluntariado, Christian veio com a vontade de conhecer mais. Conta que entre o ensino secundário e a faculdade foi um ano para a Austrália, o chamado gap year. Viveu experiências — chegou a atropelar um canguru, confessa — que o marcaram e o fizeram valorizar experiências fora da Alemanha, por muito que tenha boas condições no seu país.

Apesar de já ter viajado muito, é a primeira vez que vem a Portugal. Mesmo com o frio que se sentiu esta semana, Christian elege a meteorologia como o fator mais positivo do país. “Não sei como é o resto do país, mas tenho adorado tudo o que vi até agora”, explica ao ECO, nomeadamente as pessoas e a beleza da cidade de Lisboa. “Até a comida”, finaliza.

“Muito educados, de mente aberta e simpáticos” — é assim que classifica os portugueses que conheceu. No entanto, diz não existir uma imagem preconcebida dos portugueses na Alemanha. E, ao contrário do que se possa pensar, Christian conta que não existem muitas notícias sobre Portugal nos media alemães.

Web Summit

Não sabia do evento antes. Foi só com a vinda do Web Summit para Portugal que Christian Czapka passou a conhecer o evento. Não se lembra onde ouviu falar pela primeira vez, mas diz que provavelmente foi no Facebook. “Fizeram uma campanha de marketing muito boa. Estavam em todo lado”.

É interessado em startups e empreendedorismo e tinha curiosidade em ter mais informações sobre este mundo. No futuro pretende criar uma startup ou, pelo menos, ajudar a criar algo de novo. Não tem de ser o conceito que se popularizou como startup.

Christian Czapka, 22 anos. Vive em Munique e foi voluntário no Web Summit.
Christian Czapka, 22 anos. Vive em Munique e foi voluntário no Web Summit.

Este alemão partilha com os participantes do Web Summit a vontade de criar algo novo. “Criar algo que o Mundo precise”, diz. Christian Czapka aprecia o conhecimento dos empreendedores e a sua vontade de conhecer mais.

As conferências foram “inspiradoras”, mas curtas. A grande vantagem da Web Summit foi conhecer novas pessoas. “É muito fácil fazer networking e ficar com os contactos com o QR Code (da aplicação)”, explicou.

O mais positivo para este jovem alemão foi a interação com as startups. Foi nessas voltas que deu pelos quatro pavilhões da FIL que ganhou a inspiração que levará para a Alemanha. “Há pessoas de todas as partes do Mundo a fazerem projetos tão diferentes”, diz entusiasmado.

Christian Czapka aponta os problemas com o Wi-Fi e o excesso de pessoas como os dois pontos fracos do Web Summit. “Foi stressante. Caso tivesse de ir rápido de uma conferência para outra era complicado”, admite.

Editado por Mariana de Araújo Barbosa.

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