O peso do Brexit: Cai confiança em fusões e aquisições na UE

  • Marta Santos Silva
  • 13 Novembro 2016

Empresários e executivos europeus parecem concordar numa coisa: com a City de Londres fora da UE, o ano vai ser pior. Mas e se Paris ficasse com a City?

Os impactos do Brexit não se sentem só nos mercados, onde têm sido um grande fator de volatilidade. As fusões e aquisições também se estão a ressentir na Europa, segundo um inquérito que consultou executivos de empresas e fundos de private equity: a vasta maioria acredita que, depois do Brexit, as fusões e aquisições vão “arrefecer de forma significativa”.

Os números praticamente falam por si. No inquérito realizado pré-referendo do Brexit, menos de um quinto dos inquiridos previa este arrefecimento das fusões e aquisições na Europa. Já depois de 23 de junho, a proporção subira para 66%. E a perspetiva pessimista em relação à evolução das fusões e aquisições no ano pós-Brexit comparativamente com o anterior teve uma mudança ainda mais drástica: antes, 23% achavam que o ano que se avizinha ia ser pior; depois, já eram nove em cada dez com esta perspetiva negativa.

As conclusões do inquérito European M&A Outlook, publicado pela CMS, sublinham assim o que já se sabia: que a volatilidade provocada pelo resultado do referendo do Brexit, especialmente com a incerteza que se lhe tem seguido acerca dos termos em que a saída do Reino Unido da União Europeia vai acontecer, deixou os empresários pessimistas e o ambiente para fusões e aquisições enfraquecido.

No mesmo inquérito, porém, há espaço para otimismos. “A Europa ainda é vista como um destino notável de negócios”, disse Stefan Brunnschweiler, um dos responsáveis da CMS citado no comunicado. “Quando a poeira tiver assentado, são as empresas que estão prontas para investir que sairão vencedoras”.

Mas com a City de Londres potencialmente fora da equação para as empresas que preferem ter as suas sedes dentro do mercado único, que alternativas se apresentam? Várias empresas e bancos já declararam que equacionam entre Frankfurt e Paris — e a capital francesa está a apostar forte.

Paris quer as empresas do Brexit

“Choose Paris Region”. É o nome da campanha para tentar atrair os exilados do Brexit, que queiram sair da City para permanecer na União Europeia, e o objetivo é facilitar a migração de empresas para a capital francesa. O Goldman Sachs já disse estar indeciso entre mudar-se para Paris ou Frankfurt, escreve o jornal Les Échos.

O Choose Paris Region é uma espécie de guichet digital para promover e facilitar a entrada de empresas a Paris. Uma região que se quer “pro-business, levada pela inovação e pelo desenvolvimento económico”, afirmou a presidente da região de Île de France, que integra a capital francesa, Valérie Pécresse.

“Este guichet destina-se ao público em geral de investidores e empresas, não apenas aos membros da City”, esclarece ao Les Échos Ross McInnes, o franco-australiano designado pelo primeiro-ministro francês Manuel Valls para liderar o projeto. “Mas também importa para as empresas internacionais que tinham instalado em Londres a sua sede para aceder ao mercado único europeu e que pensam em relocalizar-se”.

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