Centeno: Turismo ajuda PIB, mas subida é geral

Mário Centeno argumenta que não é só o turismo que contribui para o crescimento do PIB. O Ministério das Finanças diz que instituições internacionais têm de rever em alta os números sobre Portugal.

 

Mário Centeno rejeitou esta terça-feira o argumento de que o crescimento do PIB só é impulsionado pelo turismo. O ministro das Finanças afirmou que “a economia cresce no seu global”. “Os indicadores setoriais são todos positivos. O crescimento do emprego é transversal”, argumentou Centeno.

Apesar de reconhecer que dentro das exportações de serviços o turismo é das componentes “mais importantes”, Mário Centeno vincou que o crescimento foi “harmonioso”, entre a procura interna e a procura externa. Centeno anuncia que “o crescimento será ainda mais forte no futuro”.

Os números do INE estão a dar argumentos ao Governo para fazer frente às instituições internacionais: “A incorporação destes dados nas previsões para a economia portuguesa implicará uma revisão em alta dos últimos números divulgados por várias instituições”, escreveu o Ministério das Finanças num comunicado enviado às redações esta terça-feira. Ou seja, o Governo questiona assim as previsões menos otimistas da Comissão Europeia e do Fundo Monetário Internacional.

O Ministério das Finanças argumenta que há dois pilares do crescimento económico em Portugal: a confiança e o emprego. A equipa de Mário Centeno reagiu esta terça-feira aos números divulgados pelo INE: no terceiro trimestre, o PIB cresceu 1,6% em termos homólogos e 0,8% em cadeia, ou seja, em relação ao segundo trimestre.

“Estes dados do crescimento económico, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, confirmam a aceleração da produção nacional que já se observava desde o início do ano”, defende o Governo. O aceleramento é justificado pela “confiança e o emprego”, “os dois pilares do modelo de crescimento equilibrado que Portugal deve seguir”, escreve o Ministério das Finanças.

O Governo argumenta que o crescimento “foi sustentado nas componentes externa e interna e no forte crescimento do emprego”. No entanto, o Ministério das Finanças diz que os dados “não surpreendem”, “ainda que constituindo excelentes notícias para todos os agentes económicos”.

Porquê? Para a equipa de Mário Centeno esta evolução já tinha indícios nos indicadores de confiança de várias instituições, um argumento utilizado pelo ministro das Finanças na apresentação do Orçamento do Estado para 2017. Neste comunicado volta a mostrar o gráfico dessa evolução de confiança pré, durante e pós-eleições até este momento.

confiança
Gráfico do Ministério das Finanças.

O argumento do Governo alarga-se à melhoria do mercado de trabalho. “No terceiro trimestre, a taxa de desemprego, mantendo-se a um nível ainda elevado, caiu para 10,5% e o emprego cresceu 2%”, refere o comunicado, acrescentando que “o número de pessoas classificadas como desencorajadas – aquelas que querem trabalhar, mas não procuram emprego – diminui em 43 mil indivíduos desde o terceiro trimestre de 2015”.

Em declarações aos jornalistas, Mário Centeno recusou dar esclarecimentos sobre a situação atual da administração da Caixa Geral de Depósitos, dizendo apenas que a “recapitalização é um enorme objetivo” do Governo e que vai ser “materializada”. É expectável que esta quinta-feira António Domingues decida se permanece à frente do banco público.

Editado por Pedro Sousa Carvalho

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