Membro do BCE diz que estímulos devem acabar o mais cedo possível

Yves Mersch considera que um compromisso permanente com a compra de dívida, por exemplo, seria um sinal errado para o financiamento dos governos.

As medidas de estímulo económico implementadas pelo Banco Central Europeu (BCE) não foram desenhadas para serem permanentes e devem terminar o mais cedo possível. Quem o diz é Yves Mersch, membro do conselho executivo da entidade liderada por Mario Draghi.

"A dimensão do programa de compras significa que irá levar algum tempo, mas um compromisso permanente de compra de obrigações, por exemplo, seria um incentivo errado para o financiamento dos governos.”

Yves Mersch

BCE

“A dimensão do programa de compras significa que irá levar algum tempo, mas um compromisso permanente de compra de obrigações, por exemplo, seria um incentivo errado para o financiamento dos governos”, afirmou Mersch num discurso proferido esta quinta-feira em Frankfurt. O responsável do BCE disse ainda que tal seria “um desenvolvimento que em última instância iria contra a proibição de financiamento monetário, e como tal ser incompatível com o nosso mandato”.

Está previsto que o BCE decida no próximo dia 8 de dezembro, se vai o não prolongar o seu programa alargado de compra de dívida, que ascende a 1,7 biliões de euros, para além de março do próximo ano. Muitos economistas antecipam que, tendo em conta que a inflação na Zona Euro se mantém ainda bastante abaixo do objetivo, a entidade liderada por Mario Draghi prolongue para além dessa data o término do programa de compra de dívida.

O BCE vai publicar uma revisão das estimativas económicas até 2019, pela primeira vez, e Yves Mersch antevê que esses dados possam indicar quando os estímulos podem começar a ser retirados. “Pode ser que se espere uma taxa de inflação para o horizonte até 2019 que seja muito próxima do nosso objetivo de estabilidade de preços de quase 2%”, afirmou este membro do conselho executivo do BCE, alertando ainda para a necessidade de não criar expectativas excessivas” relativamente a decisões de política do BCE.

"Aquilo que precisamos é de reformas que, por exemplo, permitam uma maior flexibilidade nos mercados de trabalho e de produtos, os quais impulsionam a produtividade.”

Yves Mersch

BCE

Mersch reiterou ainda o alerta do BCE de que as políticas monetárias, por si só, são insuficientes para suportar a recuperação da economia da Zona Euro, defendendo a necessidade de haver um suporte político. “Tal inclui políticas orçamentais mais fortes“, disse. “Só nessa ocasião a a nossa política monetária pode normalizar. Para além disso, aquilo que precisamos é de reformas que, por exemplo, permitam uma maior flexibilidade nos mercados de trabalho e de produtos, os quais impulsionam a produtividade”, complementou Mersch.

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