Demissão de Domingues ameaça rating da Caixa

  • Margarida Peixoto
  • 29 Novembro 2016

A agência de rating DBRS colocou a Caixa Geral de Depósitos sob vigilância negativa. Este movimento poderá anteceder uma descida do rating do banco público.

A DBRS colocou a Caixa Geral de Depósitos sob vigilância negativa, esta terça-feira. A decisão abrange todas as subsidiárias do banco público, revela a agência de rating, em comunicado.

Segundo a agência canadiana, a reavaliação da notação de crédito atribuída à Caixa reflete “os riscos acrescidos que o grupo enfrenta por causa das questões da sua gestão administrativa, a recapitalização planeada, e as dificuldades do grupo em melhorar a sua rendibilidade e a qualidade dos ativos”.

Além disso, esta revisão vai avaliar como é que a recente demissão do presidente e de parte dos gestores do banco vai afetar a “reestruturação planeada do grupo”. Nomeadamente, explica a agência, toma em linha de conta que “o adiamento neste processo” implica que a Caixa se mantenha pouco capitalizada “durante um período mais longo do que o inicialmente esperado”.

"A recente demissão da administração da Caixa coloca, no ponto de vista da DBRS, acrescidos desafios ao grupo para regressar às rendibilidades positivas, reduzir os problemas com a qualidade dos ativos e melhorar a confiança dos investidores no grupo.”

DBRS

Agência de rating

“A recente demissão da administração da Caixa coloca, no ponto de vista da DBRS, acrescidos desafios ao grupo para regressar às rendibilidades positivas, reduzir os problemas com a qualidade dos ativos e melhorar a confiança dos investidores no grupo”, explica a agência.

A colocação da Caixa sob vigilância negativa é particularmente relevante porque o plano de recapitalização para a Caixa que o Governo de António Costa pré-aprovou com a Comissão Europeia implica a participação de investidores privados. Além da injeção de capital público que pode ir até 2,7 mil milhões de euros, da transferência de 500 milhões de euros de ativos vindos da ParCaixa, e da conversão de 900 milhões de euros de CoCo’s em capital, o plano inclui a emissão de mil milhões de euros de instrumentos com elevado nível de subordinação para investidores privados.

"A DBRS vê o sucesso da colocação dos instrumentos subordinados no mercado como desafiante, tendo em conta a presente volatilidade financeira global e o acesso muito limitado da Caixa ao mercado de financiamento sem garantias.”

DBRS

Agência de rating

“A DBRS vê o sucesso da colocação dos instrumentos subordinados no mercado como desafiante, tendo em conta a presente volatilidade financeira global e o acesso muito limitado da Caixa ao mercado de financiamento sem garantias”, lê-se no comunicado.

Desta forma, “é pouco provável que no curto a médio prazo se verifiquem pressões positivas no rating”. Para que isso se verificasse, assume a agência, seria preciso que o rating da República melhorasse, em simultâneo com uma melhoria na rendibilidade e uma descida significativa dos riscos no balanço do banco, bem como um fortalecimento adicional da rede doméstica do grupo.

Por isso, o rating da Caixa está “sob revisão com implicações negativas” durante um período que pode ultrapassar os três meses, avisa a agência de notação de crédito. Nesta avaliação, “a DBRS vai focar-se no processo de recapitalização, incluindo a colocação de dívida subordinada junto dos investidores privados, bem como as questões da gestão administrativa do banco e os desafios de rendibilidade”, frisa.

Prejuízos, num ambiente económico fraco

A fotografia que a DBRS tira da CGD é preocupante. A agência lembra que o banco reportou prejuízos de 189,3 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2016, que comparam com 3,4 milhões de euros de lucro reportados no mesmo período de 2015. “O grupo apresenta perdas desde 2012”, frisa o comunicado, que destaca as dificuldades acrescidas de regressar aos lucros num contexto de “baixas taxas de juro, aumento da regulação e perspetivas económicas fracas para Portugal”.

Além disso, nos cálculos da agência, as receitas operacionais brutas caíram 26,5% de janeiro a setembro de 2016, face a 2015, ao mesmo tempo que as imparidades registadas subiram 14,3%, atingindo os 407,4 milhões de euros.

 

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