Caixa: Prejuízos entre dois e três mil milhões de euros

  • Cristina Oliveira da Silva
  • 3 Dezembro 2016

Dados constam do plano estratégico elaborado pela administração de António Domingues.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai fechar as contas de 2016 com prejuízos entre dois e três mil milhões de euros, noticia o Expresso (acesso pago).

Os dados constam do plano estratégico elaborado pela administração de António Domingues, que resulta do acordo com a Comissão Europeia e com o Banco Central Europeu: assumir as perdas este ano para libertar os próximos, diz o semanário. Ainda que a nova administração tenha espaço para mudar medidas, o sentido do acordo internacional mantém-se, até porque dele depende o aumento de capital.

Este só não é o maior prejuízo na história da banca portuguesa, porque o BES já apresentou perdas de 3,57 mil milhões de euros.

O valor final só ficará abaixo dos três mil milhões de euros por efeitos fiscais. Como? De acordo com a notícia publicada neste sábado, além das perdas do ano, a Caixa vai contabilizar imparidades relacionadas com o passado assumindo perdas em créditos que têm pouca probabilidade de serem pagos. O valor final das imparidades aproxima-se do montante que o Estado prevê injetar (2,7 mil milhões de euros). Portanto, a CGD fica “limpa” e prevê lucros no próximo ano.

Os lucros continuam nos anos seguintes e em 2020 atingirão 670 milhões de euros. O Estado vai então receber dividendos — nesse ano a rentabilidade do capital será de 9% — mas, até lá, é preciso cortar custos e aumentar receitas. Entre 2017 e 2020 deverão sair 2.240 pessoas do banco, diz o plano recentemente apresentado às direções internas da Caixa. Acrescem as 490 saídas em 2016. Mas aqui estão apenas incluídas pré-reformas e reformas. Do encerramento de 180 balcões até 2020 poderão resultar rescisões pontuais.

Por outro lado, o produto bancário será de quase mil milhões de euros em 2016, subindo, de acordo com o plano, até 1,75 mil milhões de euros em 2020. O crescimento médio de 15% em cada um dos quatro anos resulta do aumento de comissões aos clientes e spreads no crédito. Já as taxas pagas nos depósitos vão baixar, diz o Expresso. Além disso, o plano prevê a venda de operações em Espanha, Brasil e África do Sul e encerramentos em Nova Iorque e Londres.

Falta agora saber se o novo presidente, Paulo Macedo, vai manter o mesmo projeto ou se poderá adaptar os meios para atingir os mesmos objetivos.

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