Chumbo italiano não assusta ações europeias

O facto de os investidores já anteciparem a vitória do "Não" no referendo italiano suporta os ganhos que se assiste nas ações europeias. Até a bolsa italiana avança.

Já pouco parece assustar os investidores europeus. As ações europeias seguem em terreno positivo nesta segunda-feira, apesar do chumbo de ontem por parte dos eleitores italianos ao referendo constitucional e a consequente demissão de Renzi do cargo de primeiro-ministro. A bolsa italiana também sobe (1,17%), apesar de os juros da dívida soberana se agravarem.

O Euro stoxx 600, índice que agrega as 600 maiores capitalizações bolsistas do Velho continente avança 1,32%, para os 343,84 pontos, com a generalidade dos setores a acumularem ganhos. A banca que era a única exceção pela negativa no arranque do dia de hoje, também já sobe 1,34%, apesar dos receios em torno do setor financeiro italiano.

Índice Euro Stoxx 600 em aceleração

Fonte: Bloomberg
Fonte: Bloomberg

O facto de os investidores já estarem à espera deste desfecho eleitoral justificará em parte o desempenho positivo das ações europeias neste arranque de sessão. “É importante sublinhar que ao contrário do que ocorreu com o Brexit e com as eleições presidenciais americanas, a vitória do ‘Não’ era o cenário mais provável para os mercados financeiros, pelo que os investidores tiveram tempo para se preparar”, afirmava esta manhã o BPI no seu diário de bolsa.

"O facto de os mercados na Ásia estarem a reagir calmamente deve-se, em parte, à intenção de o presidente italiano Mattarella apontar um governo interino que poderá alterar a lei eleitoral em detrimento do Movimento Cinco estrelas.”

Jörg Krämer

Commerzbank

“Esta foi a primeira vez que as sondagens acertaram este ano”, afirmou também Ken Peng, estratega de ações do Citi Private Bank, em Hong Kong. “Os mercados, especialmente instituições como bancos, estavam já todos preparados para isso. Isto não vai ter um grande impacto sobre os mercados financeiros”, acrescentava o mesmo responsável.

Ainda antes da abertura na Europa, também o Commerzbank salientava e justificava o fraco impacto negativo do resultado do referendo italiano sobre a negociação dos mercados asiáticos. “Ontem, os italianos pronunciaram-se e de forma clara e surpreendente em relação aos planos de reformas do senado, rejeitando-os em quase 60%. O primeiro-ministro Renzi anunciou a sua demissão. O facto de os mercados na Ásia estarem a reagir calmamente deve-se, em parte, à intenção de o Presidente italiano Mattarella apontar um governo interino que poderá alterar a lei eleitoral em detrimento do Movimento Cinco estrelas”, explicava o economista-chefe do banco germânico numa nota desta manhã. Jörg Krämer não afastou, contudo, um cenário de riscos. “O risco de um Governo Cinco Estrelas e um regresso da crise da dívida não pode ser completamente afastado”, acrescentou o economista-chefe do Commerzbank.

Os juros da dívida soberana europeia refletem esses receios. As yields italianas agravam em sintonia com as alemãs, o mesmo acontecendo com países periféricos, como Espanha e Portugal. As bunds alemãs no prazo a dez anos sobem 2,6 pontos base, para os 0,307%, enquanto as italianas avançam oito pontos base, para os 1,982%. Já a taxa portuguesa sobre 6,2 pontos base, para os 3,759%, na mesma maturidade.

Por sua vez, o euro que chegou a desvalorizar 1,5%, para o patamar mais baixo em 20 meses, já perde apenas 0,25%, para os 1,0637 dólares.

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