Questão da CGD cria uma “pressão imensa para outros bancos”, avisa Passos

  • Margarida Peixoto
  • 5 Dezembro 2016

Passos Coelho avisou que a questão da Caixa está a criar uma "pressão imensa para os outros bancos". Para o líder do PSD, o Governo ainda só conseguiu "trazer mais ameaças e dúvidas" sobre a banca.

A questão da Caixa Geral de Depósitos está a provocar “uma pressão imensa sobre os outros bancos”, defendeu esta segunda-feira o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, no ECO talks, um evento organizado pelo ECO que decorre esta manhã em Lisboa.

“Descobriu-se, agora em dois meses, muito convenientemente, prejuízos que o auditor não viu durante oito ou nove anos”, questionou o líder do PSD, afirmando que continua a não encontrar motivos que justifiquem “necessidades [de capital] acrescidas na casa dos dois a três mil milhões de euros” para a Caixa.

“Tudo isto é uma história que deixa dúvidas éticas, políticas”, defendeu. “Que implicações pode ter para o resto do sistema financeiro”, perguntou ainda. E respondeu: “Cria uma pressão imensa para outros bancos que têm o mesmo auditor e que têm negócios suportados pela Caixa que não podem ser tratados de uma maneira num banco e de outra maneira noutro banco.”

Para Pedro Passos Coelho, a gestão que o Governo de António Costa tem feito deste dossier só trouxe “mais ameaças e dúvidas sobre o sistema financeiro”. Até porque, embora o Executivo tenha dito que a recapitalização é urgente, “até à data ainda não fez nada, foi só conversa”, criticou.

Mais: se o Governo quiser evitar que eventuais impactos da recapitalização prejudiquem a saída de Portugal do Procedimento por Défices Excessivos (PDE), terá de adiar a recapitalização para lá do verão de 2017 e encontrar, por isso, “soluções alternativas”, já que caracterizou a recapitalização do banco como “urgente”, defendeu.

“Para que a recapitalização não ponha em causa a saída do PDE, só pode acontecer depois do verão do próximo ano”, isto “para que o impacto seja tratado apenas como estatístico”, depois de a decisão de saída já ter sido tomada, explicou, prevendo que tal aconteça “entre maio e junho”. Para Passos é certo que os prejuízos identificados entre a data da última recapitalização e a da próxima deverão ser registados no défice de 2016.

Passos Coelho clarificou ainda a sua posição sobre a importância de Portugal manter um banco de capitais públicos. O ex-primeiro-ministro frisou que defendeu que a Caixa deveria ter capital privado, mas argumentou que isso não é o mesmo que defender a privatização do banco. Passos defende que a participação dos privados não deve superar os 49% e sublinhou que se quisesse privatizar a CGD, teria avançado para esse processo. “Não o fiz porque num sistema financeiro que precisava de cuidados, seria bom que o Estado mantivesse um banco público”, acrescentou.

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