2015 foi mais um ano negro para os jornais

O negócio em torno dos media em papel continua a diminuir. 2015 foi mais um ano onde se registou uma queda no número de publicações periódicas, acompanhada pela queda nas receitas e despesas.

A tendência continua a registar-se: as publicações periódicas diminuem em número, mas também em relação ao negócios: há menos receitas acompanhadas por menos despesa. Além disso, as estatísticas sobre cultura divulgadas esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística evidenciam uma queda na tiragem e circulação total.

Em 2014 existiam 1.382 publicações periódicas. Um ano depois existem menos 76. Uma diminuição que se reflete em tudo o que rodeia o negócio: “Face ao ano anterior, nos materiais impressos registaram-se diminuições no número de publicações (5,5%), edições (3,3%), tiragem e circulação total (ambas com menos 8,2%), nos exemplares vendidos (6,5%) e nos oferecidos (10,6%)”, refere o INE. Um ano horribilis que continua o percurso negativo, também na bolsa, do setor dos media.

Panorama do negócio das publicações periódicas de 2012 a 2015

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(Fonte: INE, “Estatísticas da Cultura 2015”; Em percentagem)

Acresce ainda a dificuldade de vender jornais. Dos 412,4 milhões de exemplares em circulação total foram vendidos apenas pouco mais de metade: 234,1 milhões. O INE explica que “os jornais venderam 51,3% dos exemplares em circulação, enquanto nas revistas a circulação paga foi de 77,0%, no total dos exemplares respetivos”. Quanto às regiões com maior expressão em termos de circulação paga destacam-se as regiões autónomas da Madeira e Açores, seguidas pelo Alentejo e Norte, e só depois Lisboa e Algarve.

Isto traduz-se num decréscimo de 6,8% nas receitas totais (371,3 milhões de euros) das publicações periódicas, onde se incluem os jornais e as revistas. Os jornais, apesar de representarem 35% do total das publicações (em comparação com os 48% das revistas), são os que ficam com a maior parte das receitas faturadas (55,5% em relação aos 43,5% pelas revistas). No total das publicações periódicas, 57,7% das receitas vieram da venda de exemplares e 37,4% da publicidade.

Ao mesmo tempo, para compensar, estas empresas de media tiveram de diminuir as despesas totais em 14,3%. Esta queda na difusão do papel tem levado as publicações para o online. Esta é uma tendência vincada pelo destaque do INE: “De referir que este tipo de suporte de difusão [Papel e eletrónico simultaneamente] tem vindo a ganhar uma importância crescente: representava 36,9% em 2014, 30,7% em 2011, sendo de 19,4% em 2007 (primeiro ano para o qual existe informação)“, explica o Instituto Nacional de Estatística.

Editado por Mónica Silvares

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