Haitong: NOS pode comprar SIC

  • Cristina Oliveira da Silva
  • 5 Dezembro 2016

Presidente-executivo da NOS já admitiu que haverá "guerra" se os reguladores aceitarem a compra da TVI pela Altice. Para a Haitong, isto pode significar a aquisição da SIC pela NOS.

Depois de o presidente-executivo da NOS ter dito que “haverá guerra” se os reguladores aceitarem a compra da TVI pela Altice, a Haitong entende que a NOS consideraria comprar a Impresa, dona da SIC, para ter o mesmo poder de negociação.

Para o analista da Haitong Nuno Matias, ainda é cedo para pensar que vem aí nova “guerra de conteúdos”, mas este é “naturalmente um risco” já que pode comportar “receios relativamente ao desejo de exploração de conteúdos exclusivos” e conduzir a “maior inflação sobre conteúdos” que a Haitong considera desnecessária.

O presidente-executivo da NOS, Miguel Almeida, afirmou, em entrevista ao Expresso publicada no último sábado, que haverá resposta a uma eventual compra da TVI pela Altice. “Se se confirmar que a Altice compra a TVI, e se os reguladores não fizerem nada, aceitando essa aquisição, haverá guerra, defenderemos os interesses dos nossos clientes”, disse.

Hoje, numa nota aos investidores, a Haitong abordou o tema. Embora Miguel Almeida não tenha esclarecido “o que entende por retaliação”, na opinião da Haitong “é evidente que a NOS consideraria adquirir o outro grupo de media“, ou seja a Impresa (dona da SIC) “para ter o mesmo poder de negociação”, indica a nota.

Num cenário em que um operador de canais pagos compra um grupo de media com canais em sinal aberto, “seria provável que os reguladores impusessem a obrigação de tornar esse canal aberto a outros operadores”, entende a Haitong. “No entanto, como tanto a TVI como a SIC têm vários canais temáticos disponíveis apenas em operadores de canais pagos, a imposição de qualquer obrigação naqueles canais poderia ser menos provável; ainda assim pensamos que a atratividade comercial destes canais não é suficientemente forte (como era no caso do conteúdo de futebol nacional) para justificar que os operadores iniciem uma nova disputa sobre conteúdos”, continua a nota de Nuno Matias.

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