Banif: Ações ao balcão afastaram administrador

  • ECO
  • 22 Dezembro 2016

Antes do colapso, o Banif recorreu aos clientes para tentar devolver a ajuda ao Estado. Uma decisão que não agradou a um dos administradores do banco devido ao risco associado, levando-o a demitir-se.

O Banif foi alvo de resolução no final do ano passado. Não resistiu, mas durante muito tempo tentou lutar pela sobrevivência, procurando obter dinheiro de todas as formas possíveis. Incluindo através da venda de ações do banco ao balcão, uma decisão com riscos que levou mesmo um dos administradores a apresentar a demissão.

Foi em julho de 2013 que mais de 16 mil pequenos investidores acorreram ao aumento de capital do Banif em julho de 2013. O banco precisava de dinheiro para devolver a ajuda estatal, tendo captado 100 milhões de euros. Nesse mês, o Banif também vendeu obrigações que renderam ao banco mais 60 milhões, mas dois anos e meio depois, perderam tudo, relembra a TVI.

Vasco Pinto Ferreira era contra a venda de ações a particulares, naquele momento, e, sobretudo, nas circunstâncias em que o banco se encontrava. O gestor considerava que o Banif estava a trair a relação de confiança com os pequenos investidores que eram também, muitos deles, clientes do banco. E foi por isso que o administrador do Banif Banco de Investimento preferiu demitir-se.

No dia 4 de julho, um dia antes de o prospeto ser tornado público, Pinto Ferreira enviou um email onde deu conta das reservas que tinha quanto ao método utilizado pelo banco para obter fundos. Nesse email, a que a TVI teve acesso, o assunto era a emissão de ações e obrigações, que o banco se prepara para fazer.

“Venho, pela presente, expressamente declarar que não aprovei o conteúdo do draft atual do prospeto e, como tal, me exonero de todas e quaisquer responsabilidades legais, civis ou outras, relacionadas com a realização das citadas ofertas”, afirmava. Encontrava problemas que nem o Banco de Portugal nem a CMVM identificaram.

“Em todas elas [emissões], tivemos oportunidade de confirmar, a informação foi adequada a todas referiam os riscos decorrentes ao plano de recapitalização e reestruturação, de uma eventual operação de resolução ou mesmo liquidação”, disse a CMVM a 16 de abril deste ano. O Banco de Portugal, na mesma altura, notou que não tinha responsabilidade sobre o prospeto, mas que tinha sido informado e considerava “que o prospeto contemplava a maior contingência”.

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