Ministro pede desculpa por comparar concertação social a “feira de gado”

  • ECO e Leonor Rodrigues
  • 27 Dezembro 2016

Episódio marcou o jantar de Natal do grupo parlamentar do PS e motivou críticas por parte dos parceiros sociais. Augusto Santos Silva já pediu desculpa.

O jantar de Natal do grupo parlamentar do PS foi marcado por um episódio insólito. No mesmo dia em que o ministro do Trabalho conseguiu chegar a acordo com os parceiros sociais (à exceção da CGTP) para o aumento do salário mínimo, Augusto Santos Silva foi apanhado a comparar a concertação social com uma feira de gado. Entretanto, o ministro já pediu desculpa e admitiu que utilizou palavras “inapropriadas”.

“Ali o Vieira da Silva conseguiu mais um acordo! Ó Zé António, és o maior! Grande negociante… Era como uma feira de gado! Foram todos menos a CGTP? Parabéns…”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros. A tirada faz hoje notícia no jornal i, depois de ontem ter sido repescada por Victor Moura-Pinto na sua rubrica na TVI.

À TSF, Santos Silva lamentou a comparação feita, afirmando que o que “queria dizer com isto era mostrar a dureza da negociação, a complexidade das transações e a honradez das partes porque é isso que caracteriza uma feira”.

O ministro admitiu que as palavras utilizadas não foram apropriadas e pediu desculpa aos parceiros sociais: “Reconheço que as palavras foram inapropriadas e excessivas. Reparei que motivaram desconforto entre os parceiros sociais e queria pedir-lhes desculpa por isso”, afirmou.

Depois de conhecidas as palavras de Augusto Santos Silva, os parceiros sociais reagiram. Ao i, o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), João Machado disse não se identificar com as declarações. E António Saraiva, líder da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) referiu que, “para um ministro dos Negócios Estrangeiros, usou pouca diplomacia”.

Do lado dos trabalhadores, José Abraão, da UGT, sublinhou que “a concertação social é um espaço sério de negociação que deve ser preservado, como seria na sede do Ministério das Finanças”. Mas a comparação entre a concertação social e uma “feira de gado” “vale o que vale”. Para o dirigente da UGT, “são dois ministros com provas dadas num ambiente de à vontade”.

(Notícia atualizada às 17h30 com o pedido de desculpas de Augusto Santos Silva)

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