Fundos comunitários: sabe quem investiu mais?

Navigator, Celtejo e Embraer são as três empresas com investimentos mais avultados que receberam apoio comunitário.

O ano está a terminar e já é certo que a economia nacional não vai crescer aquilo que o Executivo inicialmente estimava. Os 1,8% inscritos no Orçamento do Estado para 2016 foram revistos para 1,2% no Orçamento do Estado para 2017. A anemia do investimento é uma das variáveis responsáveis por este desempenho. O Executivo foi forçado a reduzir o investimento público para ajudar a travar o défice orçamental.

Mas isso não significa que as empresas não investem. Uma análise ao Sistema de Incentivos, com dados referentes a 22 de novembro, permite perceber quais as empresas que mais investiram em Portugal, com a ajuda dos fundos comunitários desde que foi lançado, e 2014, o novo quadro comunitário de apoio — o Portugal 2020.

1. Navigator

fabrica-navigator-figueira-foz-1

O pódio é ocupado pela Navigator, com o projeto Smoth. Um investimento de 120 milhões de euros, totalmente elegível para apoio comunitário, e que vai receber 42,16 milhões de incentivo. Mas, a dimensão deste investimento levou o Executivo a apoiar este projeto através de um regime contratual, que lhe permitirá beneficiar além das verbas de Bruxelas, outras contrapartidas como benefícios fiscais. No entanto, este investimento na construção de uma linha de produção de papel “tissue” (para guardanapos, lenços de papel ou papel higiénico) em Cacia está em banho-maria. A empresa faz depender o seu avanço da definição da legislação sobre o eucalipto.

O Governo assumiu a intenção de revogar a legislação que liberalizou o eucalipto, proibindo a expansão desta espécie para além da área atual. E em setembro, aprovou a revisão do regime jurídico das ações de arborização e de rearborização, mas ficou a dúvida sobre se há ou não um travão para a plantação de eucalipto. “Há muitas maneiras” de expressar a intenção de travar a expansão da área de eucalipto, disse o presidente executivo da empresa numa conferência com analistas, em novembro. Acrescentando que à Navigator interessa “saber se podemos ter mais metros cúbicos em Portugal” ou não.

2. Celtejo

Instalações da Celtejo em Vila Velha de Ródão.
Instalações da Celtejo em Vila Velha de Ródão.António José/LUSA 22/03/2007

No segundo lugar surge a Celtejo, um investimento também feito ao abrigo de um regime contratual de investimento. São 85,3 milhões de euros injetados na fábrica de Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, que prevê a criação, até 2020, de 11 postos de trabalho altamente qualificados, cerca de 400 postos de trabalho indiretos e a manutenção de 197 postos de trabalho na empresa.

O projeto de investimento é feito ao abrigo do Sistema de Incentivos à Inovação Empresarial e Empreendedorismo (Inovação Produtiva Não PME), para a introdução de inovações no processo de produção de pasta de papel “tissue”. O objetivo é aumentar a eficiência produtiva e melhorar o desempenho e monitorização industrial. Isto significa que o projeto é financiado por fundos europeus, que no caso da Celtejo são de 21,37 milhões de euros.

3. Embraer

A empresa sediada em Évora quer desenvolver um projeto para implementar soluções industriais avançadas para a produção de componentes de grande dimensão e de estruturas metálicas complexas para novos aviões de transporte comercial. Em causa está um investimento de 63,62 milhões de euros que vai receber um incentivo de 23,53 milhões de euros. Este projeto já arrancou em junho de 2015 e deverá estar concluído em dezembro de 2018.

Mas este não é o único investimento da empresa, com apoios comunitários. Além da unidade de estruturas metálicas a Embraer tem outra de compósitos, especializada na produção de estruturas complexo traduz-se num investimento total elegível de 93,7 milhões de euros e um apoio público de cerca de 35 milhões. Uma vez concluídos, os dois investimentos terão um impacto na criação direta de emprego de um total de 262 postos de trabalho qualificados, com o complexo da Embraer em Évora a ultrapassar os 450 empregos diretos. O objetivo é também o reforço da diversificação de mercados na indústria aeronáutica, incluindo para clientes fora do Grupo Embraer.

Campeões fora do pódio

Em quarto, quinto e sexto lugar surgem os investimentos da Continental, da Faurécia e da Celulose Beira Industrial todos eles com incentivos comunitários muito inferiores aos montantes investidos.

Estas três grandes empresas, que como tal só podem ser apoiadas pelo Portugal 2020 nas vertentes de inovação dos seus investimentos, investiram entre 49 e 40 milhões de euros nas respetivas unidades, recendo apoios que rondaram os 14 e os quatro milhões (ver tabela em baixo). Mas, mais uma vez todas beneficiam de incentivos fiscais já que celebraram contratos de investimento com o Estado português. Destes três investimentos, só o da Celbi se iniciou este ano, os outros dois arrancaram ainda em 2015.

Amys Kitchen, Sakthi Portugal, Renova e Bosch completam o top ten dos maiores investimentos empresariais realizados com apoios comunitários. Sendo que entre estes, o projeto sobre veículos inteligentes da Bosch é o que recebe mais incentivos comunitários — 17,29 milhões de euros. Contudo a Bosch também tem outros investimentos que são apoiados por fundos comunitários. No total a empresa propõem-se investir 61,56 milhões de euros pelos quais vai receber um apoio de 31,98 milhões.

Banco de fomento é quem mais recebe

Mas se a análise for feita aos projetos que mais apoio têm do Sistema de Incentivos (as verbas destinadas às empresas através do Compete e dos programas operacionais regionais) quem recebeu mais dinheiro foi a Instituição Financeira de Desenvolvimento, mais conhecida por banco de fomento. A IFD recebeu 50 milhões de euros para criar um fundo de fundos de capital e quase-capital para apoiar as empresas com instrumentos financeiros, mas sempre através das instituições financeiras que operam no mercado já que esta é grossista.

Neste ranking, o quinto lugar é ocupado pelos Portos dos Açores que realizaram um investimento de 22,38 milhões de euros, com um apoio de 19,02 milhões. O prolongamento do porto de Velas, na ilha de São Jorge, já teve início em junho de 2014, mas só deverá estar concluído em dezembro de 2019.

Principais investimentos empresariais com apoio comunitário

2016dez28_compete-01
Fonte: Compete. Valores em milhões de euros

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Fundos comunitários: sabe quem investiu mais?

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião