António de Sousa: Espanha não foi “rentável” para CGD

  • Rita Atalaia
  • 3 Janeiro 2017

O ex-presidente da CGD diz que Espanha não foi uma aposta "rentável", apesar das várias tentativas para ganhar quota nesse mercado. Sobre a posição da Caixa no BCP, diz que não era "confortável".

António José de Sousa diz que Espanha não foi uma aposta “rentável” para a Caixa Geral de Depósitos (CGD), um mercado onde o banco público tentou por várias vezes fazer aquisições para ganhar quota. Em relação à participação da CGD no BCP, o ex-presidente do conselho de administração do banco diz que não era “confortável”, já que pesava nos rácios de solvabilidade da Caixa.

Espanha “não foi rentável para a CGD”, diz António José de Sousa, que esteve à frente do conselho de administração da CGD entre 2000 e 2004, aos deputados na comissão parlamentar de inquérito à gestão da CGD. Na altura, um dos objetivos do banco público foi ganhar dimensão no mercado espanhol, explica o ex-presidente. A CGD ainda tentou fazer algumas aquisições de bancos de média dimensão, mas não conseguiu. Acabou por apostar no crescimento orgânico e na transferência de recursos para estas operações.

No entanto, com a crise económica em Espanha, a Caixa começou a acumular prejuízos neste mercado e acabou por ser obrigada a fazer uma reestruturação para diminuir a atividade. “A relação que tinha com o acionista, através do ministro das Finanças — a única entidade com quem mantinha conversas estratégicas — foi no sentido de que devíamos prosseguir com a estratégia de comprar um banco de média dimensão em Espanha“, diz o ex-presidente da CGD.

António José de Sousa

“Quando não fomos bem-sucedidos nas compras, decidimos fundir os três bancos em Espanha“, refere António José de Sousa, referindo-se ao Luso Espanhol, Extremadura e Simeon.

Quanto à participação que a Caixa tinha no BCP — que obteve depois de ter aceitado ações do banco liderado por Nuno Amado, e não dinheiro, na venda do Banco Pinto e Sotto Mayor — António José de Sousa diz que, “enquanto gestor da Caixa, não era uma posição confortável para a gestão da CGD”. Isto porque “ter uma posição tão significa noutro banco comercial afeta os capitais próprios, os chamados rácios de solvabilidade do banco”, uma situação que tentou resolver durante o seu mandato.

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