Novo Banco: Apollo ainda sem proposta vinculativa

A negociação continua esta semana, mas o consórcio Apollo/Centerbridge ainda não terminou a avaliação do Novo Banco e por isso não tem uma proposta vinculativa. O fundo Lone Star continua sozinho.

No dia 4 de janeiro, o Banco de Portugal comunicou ao mercado – e ao governo – que o fundo Lone Star estava à frente na corrida pelo Novo Banco, mas que continuaria a negociar com todos os candidatos. O problema é que a única alternativa – o consórcio Apollo/Centerbridge – ainda não é… alternativa. O ECO apurou junto de diversas fontes conhecedoras do processo que o consórcio ainda não terminou a ‘due diligence’ e, sem isso, não haverá proposta vinculativa.

O país anda a discutir a nacionalização, sem conhecer os detalhes da proposta do fundo Lone Star e, mais, sem saber se haverá uma segunda proposta do consórcio Apollo/Centerbridge. Os chineses do China Minsheng, esses, estão formalmente na corrida, mas já saíram de cena. Cada um dos lados está a tomar posições, sobretudo políticas e ideológicas, enquanto os próprios candidatos vão também jogando as suas cartas políticas.

O que se sabe, afinal? O Lone Star oferecia 750 milhões de euros ao Fundo de Resolução pelo Novo Banco e estava disponível para capitalizar o banco em mais 750 milhões de euros, precisamente o valor que está implícito no business plan desenhado pela própria administração do Novo Banco para 2017. O consórcio Apollo/Centerbridge terá oferecido condições financeiras menos favoráveis. E ambos querem garantias de Estado, ou seja, o envolvimento de risco dos contribuintes.

A notícia do Público de que o Lone Star encontrou-se com o governo – não foi a primeira vez – foi a evidência desta estratégia. A negociação com o Banco de Portugal e a equipa liderada por Sérgio Monteiro continua, mas os responsáveis do Lone Star, entre os quais o presidente ibérico, Felipe Morenés Botín, filho mais velho de Ana Botín, a presidente do Santander, sabem o que quer o governo. E sobretudo o que não quer, uma garantia de Estado na venda do Novo Banco.

Há informações contraditórias sobre a revisão das ofertas, seja da vinculativa do Lone Star, seja da não vinculativa do consórcio Apollo/Centerbridge, particularmente na exigência de garantias públicas sobre os ativos do ‘side bank’ do Novo Banco, isto é, dos ativos não prioritários e não rentáveis, e que não estão associados ao negócio operacional da instituição. Em qualquer dos casos, apesar dos candidatos sinalizarem a disposição para negociarem alternativas, as saídas não são fáceis. Já não eram, a situação da Caixa, a situação do próprio Novo Banco e a crise na banca italiana dificultaram as negociações. Que ficaram piores quando o ministro das Finanças afirmou publicamente, ao DN/TSF, que o governo não aceitaria qualquer operação que envolvesse uma garantia de Estado. Por motivos políticos e porque isso acarretaria novos impactos para o défice e, logo, para os contribuintes.

Foi isso que obrigou o Banco de Portugal a recuar na decisão de escolher o fundo Lone Star e a considerá-lo ‘apenas’ o candidato com a melhor proposta. O consórcio Apollo/Centerbridge ganhou tempo para terminar a avaliação do balanço do Novo Banco, a referida Due Diligence, mas passados mais de dez dias ainda não está concluída. E, segundo o ECO apurou, as negociações com o Lone Star e o consórcio continuam num quadro difícil. “É mais complexo do que simplesmente deixar cair a garantia de Estado”, afirmou uma fonte que está por dentro das negociações.

O tempo está a esgotar-se, até porque está a passar o momento certo, o prazo de validade, para fechar um acordo que anda a ser discutido há um ano. O processo arrancou formalmente no dia 15 de janeiro de 2016 e, um ano depois, não há solução óbvia à vista. O prazo negociado com Bruxelas termina no dia 3 de agosto, sob pena de o banco ser liquidado e, apesar da defesa da nacionalização em setores do governo e à Esquerda, pelo BE e PCP, os riscos são elevados: a DBRS avisou que a nacionalização é um risco para o rating da República.

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