Peña Nieto: México “não vai pagar” muro de Trump

  • Lusa
  • 26 Janeiro 2017

“Lamento e reprovo a decisão dos Estados Unidos de continuar a construção de um muro que há anos nos divide em vez de nos unir. O México não acredita em muros”, afirmou o presidente mexicano.

O Presidente do México, Enrique Peña Nieto, lamentou e reprovou a decisão do recém-empossado Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ordenar a construção de um muro na fronteira comum, reiterando que não o vai pagar.

“Lamento e reprovo a decisão dos Estados Unidos de continuar a construção de um muro que há anos nos divide em vez de nos unir. O México não acredita em muros”, afirmou Enrique Peña Nieto, numa mensagem transmitida na quarta-feira pela televisão, em que reiterou que o México não vai arcar com as despesas do muro.

Donald Trump assinou na quarta-feira a ordem para a construção de um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México, garantindo que vai iniciar-se em “em meses”, que o planeamento do projeto será feito “de imediato” e insistindo ainda que “em última instância” o custo será “reembolsado pelo México”.

“O México oferece e exige respeito como a nação totalmente soberana que é”, disse Enrique Peña Nieto, indicando ainda que ordenou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros que reforce as medidas de proteção aos mexicanos que se encontram nos Estados Unidos. Neste sentido, segundo Enrique Peña Nieto, “os 50 consulados nos Estados Unidos vão transformar-se em autênticos defensores dos direitos dos migrantes”.

“As nossas comunidades não estão sozinhas. O governo do México vai oferecer aconselhamento legal que irá garantir a proteção de que precisam”, realçou.

O Presidente mexicano não indicou, porém, se pretende cancelar o encontro com o seu homólogo norte-americano, previsto para 31 de janeiro, afirmando que irá esperar pelo regresso de Washington de uma delegação de alto nível antes de tomar uma decisão sobre os próximos passos a tomar.

A proposta de Donald Trump de erguer um muro ao longo da fronteira com o México, que tem uma extensão total de cerca de 3.000 quilómetros, para travar a entrada de imigrantes ilegais no território norte-americano, foi uma das mais polémicas que fez durante a sua campanha para as eleições presidenciais de novembro.

O Presidente dos Estados Unidos confirmou na quarta-feira, em entrevista ao canal ABC, que o governo federal irá adiantar o dinheiro necessário para iniciar a construção do muro, valor que vai ser posteriormente reembolsado pelos “vizinhos” mexicanos. Segundo cálculos realizados pela comunicação social norte-americana durante a época eleitoral, a ideia de Donald Trump poderá custar cerca de 10 milhões de dólares (9,4 milhões de euros).

A ordem executiva relativa ao muro fronteiriço visa atribuir fundos federais para a planificação e a construção do projeto. O Congresso, atualmente controlado pelo Partido Republicano, terá de aprovar o orçamento necessário para a construção do muro.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Peña Nieto: México “não vai pagar” muro de Trump

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião