Se o Brexit correr mal, May tem um plano

  • Marta Santos Silva
  • 3 Fevereiro 2017

O "livro branco" do Brexit contém planos para evitar as consequências mais graves se as negociações de saída da União Europeia não correrem como planeado ou se não for atingido um acordo.

Theresa May tem planos para criar uma estratégia de contingência caso as negociações do Brexit acabem por não chegar a bom porto. O “livro branco” do Governo britânico — de 75 páginas — para as negociações de saída da União Europeia incluirá medidas para evitar o caos económico se May não conseguir aquilo que deseja — sair da UE com um bom acordo de comércio livre.

O documento citado pela Bloomberg indica que “nenhum acordo para o Reino Unido é melhor do que um mau acordo para o Reino Unido”, esclarecendo que o Governo vai procurar “assegurar que as nossas funções económicas e as restantes poderão continuar, incluindo através da aprovação de legislação que seja necessária para mitigar os efeitos de não chegar a um acordo”.

O receio é uma situação de “borda do precipício”, em que o Reino Unido possa acabar por sair da União Europeia sem ter legislação que substitua as leis da UE nem um acordo comercial alternativo, o que poderia ter impactos profundos no sistema financeiro e também noutros setores da economia. É o medo deste tipo de situação que já levou alguns executivos com sede em Londres a pedir um período de transição de cinco anos após a saída da UE, em que continuariam a reger-se pelas leis europeias.

A apresentação do “livro branco” marcou a primeira vez que Theresa May deu mais detalhes acerca do acordo de comércio livre “ambicioso e abrangente” que pretende negociar com a União Europeia. Mas vários analistas consultados pela Bloomberg consideram que um acordo deste género é improvável sem fazer concessões noutras áreas, algo que May não pretende fazer, pelo menos no campo da imigração.

A partir do momento em que Theresa May acione o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, o que já pode fazer graças à aprovação conseguida no Parlamento, as negociações de saída da União Europeia começarão, e um acordo tem de ser atingido no prazo de dois anos. Alguns consideram que o tempo escasseia e que os planos do Executivo no “livro branco” são pouco adequados à urgência. “A administração está a desvalorizar tanto a escala política como a escala prática desta tarefa”, afirmou o economista Malcolm Barr, da JPMorgan. “Estamos a ver uma preocupação crescente de que o plano, como está definido, não possa ser credivelmente implementado”.

No entanto, há indicações de que a Comissão Europeia também tem incentivos para ser flexível nas negociações. Um documento produzido pela Comissão de Assuntos Económicos e Monetários (ECON) a que o The Guardian teve acesso indica que os 27 vão ficar a perder se a City de Londres, o centro financeiro da União Europeia, acabar por ficar de fora do mercado interno. “É do interesse dos 27 e do Reino Unido ter uma discussão aberta acerca deste assunto”, lê-se nesse relatório.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Se o Brexit correr mal, May tem um plano

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião