“O euro é irreversível”, mas a moeda não é de ferro

  • ECO
  • 7 Fevereiro 2017

O Banco Central Europeu saiu em defesa do euro, mas as palavras de Mario Draghi não estão a conseguir acalmar os investidores. As eleições na região estão a pesar no desempenho da moeda única.

Mario Draghi voltou a sair em defesa da moeda única. O presidente do Banco Central Europeu (BCE) defendeu, perante ataques da candidata às presidenciais francesas, Marine Le Pen, que o projeto do euro é “irreversível”, mas as palavras do responsável máximo pela autoridade monetária da região não estão a ter a força de outros tempos. Os receios dos investidores em torno de todos os atos eleitorais que vão ter lugar este ano na Zona Euro estão a pesar no desempenho da divisa.

Marine Le Pen afirmou que se ganhar as presidenciais, a França sai do euro. E não é a única candidata das várias eleições a realizar este ano na região a ameaçar sair da Zona Euro. Em Itália, o Movimento 5 Estrelas — cada vez mais próximo do Partido Democrata nas sondagens — já anuncia um referendo à população para avaliar a manutenção da moeda única.

Ameaças numa altura em que a Europa está a ser confrontada com a saída do Reino Unido da União Europeia, que vêm aumentar o nível de alerta dos investidores. O reflexo disso mesmo é o desempenho do euro. A moeda que disparou após os EUA afirmarem que estava “extremamente subvalorizada” face ao dólar, tem vindo a perder valor. Cai 0,57% para 1,0689 dólares, recuando pela segunda sessão consecutiva.

A saída do euro assusta os investidores. Mas é possível? É, mas tem custos elevados. “Se um país saísse da Zona Euro, os ativos e passivos dos seus bancos em relação ao BCE teriam de ser completamente liquidados”, disse Draghi, numa carta enviada aos eurodeputados Marco Valli e Marco Zanni. Zanni contra-atacou que essa resposta significava que os países podiam sair se quisessem.

“Quis trazer a questão da saída do euro e de como ela podia acontecer”, afirmou Zanni numa entrevista. “Draghi agora admitiu claramente que tal saída é possível e que é necessário haver uma maior clareza sobre o preço a pagar. Tenho a certeza de que no caso de a Itália deixar o euro, os prós excederiam os contras”.

Benoit Coeure, membro executivo do BCE, disse em entrevista ao Le Parisien que “deixar o euro afetaria as poupanças e o emprego em França” e levaria a um “agravamento das taxas de juro”. “Seria escolher propositadamente o empobrecimento”. O seu testemunho foi partilhado por Francois Villeroy de Galhau, membro do Conselho do BCE, que escreveu no Le Figaro sobre como abandonar a moeda única levaria a um acréscimo dos custos do serviço da dívida de França em 30 mil milhões de euros ao ano.

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