Banco da Noruega alerta para perdas acentuadas no fundo soberano

  • ECO
  • 17 Fevereiro 2017

A Noruega está confiar cada vez mais nas receitas do petróleo para tapar buracos. Banco central alerta para perdas acentuadas do fundo soberano caso governo mantenha alto nível de dependência.

O governador do Banco Central da Noruega reforçou os avisos sobre o aumento da despesa pública com recurso às receitas petrolíferas e indicou que o maior fundo soberano do mundo poderá registar perdas na ordem dos 50% nos próximos dez anos.

Oystein Olsen sublinhou que é necessário contrariar o aumento continuado dos gastos com dinheiro proveniente da exploração petrolífera, que representa atualmente 20% do orçamento do Governo e 8% do Produto Interno Bruto (PIB), para proteger o fundo de 900 mil milhões de euros.

“Com este elevado nível de gastos das receitas petrolíferas, há o risco de uma redução acentuada no capital do fundo”, referiu Olsen, num encontro anual. “Isto pode, por exemplo, acontecer se uma recessão global desencadear tanto uma queda das receitas de petróleo e rendimentos baixos ou negativos do capital do fundo”.

Os resgates do Governo deverão subir 25% este ano depois de uma saída de fluxos histórica observada em 2016, ano em que o Executivo foi obrigado a recorrer ao fundo soberano pela primeira vez para fazer face ao défice orçamental e para animar uma economia atingida pela baixa dos preços do petróleo.

O fundo é gerido pelo banco central. Estimativas aponta para 1% de probabilidade de uma queda de 50% do capital do fundo se se mantiver o atual nível de despesas de cerca de 3% do fundo. Se os gastos aumentarem para 4%, essa probabilidade sobe para cerca de 5%. Se a alocação do fundo em ações aumentar dos 60% para 70%, como está a ser discutido pelo governo, o risco é ainda maior.

O Governo baixou Oslen considera que as mudanças propostas pelo executivo são razoáveis mas diz que é mais importante olhar para os gastos em função da percentagem do PIB. Algo que serviria para disciplinar os políticos.

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