Centeno assume venda parcial do Novo Banco

"Há diferentes carris negociais que o Banco de Portugal tem trilhado", disse Mário Centeno à margem da reunião do Eurogrupo, acrescentando que existe "uma segunda via de negociação" possível.

O ministro das Finanças assumiu que existe “uma segunda via de negociação” possível, alternativa à venda de 100% do Novo Banco. No final da reunião do Eurogrupo que decorreu esta tarde em Bruxelas, em declarações aos jornalistas, Mário Centeno disse que “há diferentes carris negociais que o Banco de Portugal tem trilhado”.

O ECO já tinha avançado que, sobre a mesa, está em estudo a compra conjunta de ações do Novo Banco por parte do Estado e do Lone Star ao Fundo de Resolução, com a consequente capitalização em proporção do capital de cada um. Contudo, a maioria do capital terá de ser sempre de Lone Star, para que o Novo Banco deixe de ser um banco de transição.

Estas declarações surgem no dia em que o supervisor confirmou que o Lone Star está em negociações exclusivas para ficar com o Novo Banco. O Governo recebeu, por isso, uma recomendação do Banco de Portugal para avançar para uma nova fase do processo com o fundo norte-americano. Mário Centeno garantiu que este foi “apenas mais um passo” no processo que é “liderado pelo Banco de Portugal” e que o “Governo está a seguir muito proximamente”.

O ministro das Finanças deu a entender que a exigência inicial do Lone Star de que o Estado prestasse uma garantia para eventuais perdas no “side bank” para que o negócio avançasse já é um ponto ultrapassado. “O processo negocial tem de ocorrer com todos os intervenientes. O banco de transição que está a ser vendido tem variadíssimas incidências que têm de ser tratadas, mas não é centrado na garantia”, disse Centeno aos jornalistas. Em causa estaria um impacto no défice que o Executivo não aceitou.

Aliás, Centeno sublinhou mesmo que a “posição que o Governo tem assumido, e vai manter”, é a importância de “garantir o sucesso da transação por razões de estabilidade financeira, de estabilidade da própria instituição e pelo impacto nas contas públicas”.

Centeno está em Bruxelas para participar na reunião do Eurogrupo, onde foi “feita uma apresentação das projeções da Comissão e uma análise da sobre a área do euro, sem nenhuma discussão particularizada”. O ministro aproveitou a oportunidade para sublinhar os mais recentes indicadores positivos da economia nacional, nomeadamente, o reembolso de metade do empréstimo ao FMI, os dados do Banco de Portugal que revelam que a dívida externa líquida está no valor mais baixo desde 2012, que a Posição de Investimento Internacional (PII) de Portugal “registou uma redução de quase sete pontos percentuais do PIB da sua posição negativa”, o reforço do excedente externo líquido e a “melhoria muito significativa do saldo da balança corrente de capital”.

Dados muito importantes para “a visibilidade da economia portuguesa”, disse Mário Centeno, frisando a aceleração do crescimento, a evolução sustentada das exportações e o aumento do investimento no quarto trimestre.

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