Investidores, larguem os gestores, agarrem-se a índices de baixo custo. Palavra de Buffett

Um gestor de investimentos e um macaco entram num bar. Um acerta nas previsões, o outro também. Qual é a diferença? Um não tem pessoas a fazerem fila para investir consigo.

Arrancou a mais famosa reunião de Omaha. Milhares de pessoas estão concentradas na cidade norte-americana para ouvir os conselhos do investidor milionário Warren Buffett, que divulgou este sábado a célebre carta anual aos acionistas. Desta vez, Buffett decidiu apontar armas aos gestores de investimento que cobram comissões demasiado elevadas para os resultados que obtêm. E apelou aos investidores para que se agarrem aos índices de baixo custo.

“Quando biliões de dólares são geridos por ‘Wall Streeters‘ que cobram comissões elevadas, são, geralmente, estes gestores que obtêm lucros elevados, não os seus clientes. Tanto os grandes como os pequenos investidores devem agarrar-se aos índices acionistas de baixo custo”, refere o magnata na carta deste ano, já publicada no site da Berkshire Hathaway, o conglomerado de investimento liderado por Buffett.

Para sustentar o seu argumento, Warren Buffett relembra o historial de investimento de grupos de investidores ativos (os gestores que cobram “comissões demasiado elevadas”) e de investidores passivos (os que investem em ações e esperam que elas evoluam). Nove anos após o investimento inicial, conclui Buffett na sua análise, os ganhos dos investidores ativos ficaram, quase sempre, aquém do ganho médio das ações do S&P 500.

"Se mil gestores fizerem previsões de mercados no início de um ano, é muito provável que as previsões de pelo menos um estejam corretas durante nove anos consecutivos. Isso é tão provável quanto mil macacos acertarem numa profecia semelhante.”

Warren Buffett

Carta anual aos acionistas

No fim, Buffett simplifica: se um universo de investimento estiver compreendido entre um grupo de investidores ativos e um grupo de investidores passivos, ganha aquele que tiver menores custos. “Se o primeiro grupo tem custos exorbitantes, as suas perdas serão substanciais”, explica.

Buffett reconhece que poderá haver “centenas, talvez milhares” de gestores capazes de superar esta hipótese. “O problema é que a grande maioria dos gestores que tentarem superar a média de ganhos do mercado vai falhar“, defende. Até porque a sorte destes investidores ativos dura apenas por períodos de tempo limitados. “Se mil gestores fizerem previsões de mercados no início de um ano, é muito provável que as previsões de pelo menos um estejam corretas durante nove anos consecutivos. Isso é tão provável quanto mil macacos acertarem numa profecia semelhante. Haveria, contudo, uma diferença: o macaco sortudo não ia encontrar pessoas a fazerem fila para investir com ele“.

Lucros da Berkshire Hathaway sobem 15%

Os lucros da Berkshire Hathaway subiram 15% no último trimestre do ano passado, para 6,29 mil milhões de euros, impulsionados pelo retorno dos investimentos.

O conglomerado de Warren Buffett destaca os ganhos obtidos com a participação na Apple. A Berkshire Hathaway adquiriu 61,2 milhões de ações da gigante tecnológica no ano passado, por 6,75 mil milhões de dólares. Tornou-se num dos dez maiores acionistas da Apple e obteve ganhos de 1,6 mil milhões com esta participação de 1,1% do capital da Apple.

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