Voar dos EUA para a Europa a 65 dólares? Já pode

  • ECO
  • 25 Fevereiro 2017

A companhia aérea Norwegian Airlines lançou esta quinta-feira uma promoção de voos entre os Estados Unidos e a Europa a 65 dólares.

A Norwegian Air Shuttle é a segunda maior companhia aérea da Escandinávia e a terceira maior companhia de baixo custo na Europa. E agora está a ligar o continente aos Estados Unidos com voos a 65 dólares.

Os voos estão entre os mais baixos praticados dentro das rotas transatlânticas desde que há memória, pelo que até a própria companhia já está a chamar-lhes “os voos mais baratos de sempre“.

Mas um jornalista do canal USA Today foi testar a promoção e percebeu que pode não ser tão boa quanto parece. Em primeiro lugar, os 65 dólares são só a “taxa introdutória” nos bilhetes, um preço especial que a companhia lançou para chamar a atenção para os novos serviços que está prestes a lançar em Nova Iorque e na Nova Inglaterra (estados de Nova Iorque e do Maine, respetivamente).

“É assim que costumamos fazer, em vez de gastarmos quantias elevadíssimas em marketing“, disse Lars Sande, vice-presidente de vendas da Norwegian, numa entrevista telefónica ao USA Today. “As pessoas prestam realmente atenção e depois consegues que passem a mensagem de boca em boca e que mais pessoas experimentem a promoção”.

No entanto, quem comprar estes bilhetes especiais a 65 dólares só não vai ter de pagar mais se se limitar a viajar com bagagem de mão que caiba debaixo do seu acento. Tudo o resto que queira pedir será um acréscimo no valor — e um acréscimo que pode chegar ao dobro ou mais do valor inicial calculado.

O repórter do USA Today foi experimentar e concluiu que num voo entre Newburgh, no estado de Nova Iorque, para Edimburgo, na Escócia, o valor total foi mais do dobro dos 65 dólares que previra, devido aos extras que pediu. Os 65 dólares só permitem que a pessoa leve uma bagagem mínima, que não lhe chegava para tudo o que precisava de levar consigo para uma viagem à Europa. Depois, este pacote especial, denominado “Lowfare”, também não lhe permitia escolher o lugar do voo à partida nem incluía qualquer refeição durante as seis horas do voo. Para ter acesso a essas opções e a levar mais bagagem — atenção, não podia pesar mais de 45 quilos –, o jornalista teria de pagar mais 70 dólares pelo pacote “Lowfare+”. A conta já iria em 135 dólares. Ele não aceitou.

Como alternativa, a Norwegian disponibilizava o pacote da bagagem de porão, cujo preço por cada mala era de 45 dólares para a ida e outros 45 dólares para o regresso. O repórter também não quis comprar comida durante o voo, porque uma refeição custaria mais 30 dólares. No entanto, pagou mais 30 dólares para poder escolher um lugar na primeira fila da cabine — maior espaço para as pernas e maior conforto — e chama a atenção para o facto de que, nesta altura, se tivesse querido pagar pela comida, já estaria a gastar o equivalente ao pacote “Lowfare+”.

No fim de contas, a viagem de ida entre Newburg e Edimburgo custou-lhe 140 dólares. E isto sem contar com o voo de regresso, que não está abrangido pela promoção. Ainda assim, há que ter em conta que continuam a ser valores muito abaixo dos praticados, entre os mesmos destinos, nas companhias tradicionais. Nesses casos, o voo de ida de Newburg mais barato que se encontra é o da American Airways, fica a 1.555 dólares (1.467 euros) e implica três escalas. Seguem-se outro da American, já apenas com duas escalas, que fica a 2.181 dólares (2.059 euros) e o da Air Canada, que implica três escalas e fica a 3.014 dólares (2.845 euros).

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