Para a Nos, os conteúdos informativos são iguais aos desportivos: devem ser de acesso universal

  • ECO
  • 3 Março 2017

Miguel Almeida, CEO da Nos, esclareceu que a empresa não tem intenção de comprar ativos dos media "pelo menos, de forma proactiva" porque defende que não seria positivo para os portugueses.

Miguel Almeida, diretor executivo da Nos, esclareceu esta sexta-feira, na conferência de imprensa para apresentação dos resultados de 2016, alguns dos pontos que têm estado na ordem do dia.

O que se passou com os conteúdos desportivos deve ser uma lição para os conteúdos informativos

Quanto à compra de ativos dos media e ao setor informativo, Miguel Almeida defendeu que a posição da Nos é muito clara: “Em relação àquilo que são conteúdos específicos live, neste caso que tenham influência ou uma componente relevante de notícias, vemos esse tipo de conteúdos da mesma forma que os conteúdos desportivos: devem ser universais, e portanto não é um caminho que queiramos seguir”.

“É um caminho que, enquanto empresa do setor e enquanto cidadão, me parece pouco positivo para os consumidores e para a sociedade. Portanto, do nosso lado, não esperem nada, pelo menos de forma proativa.”


Ou seja, não quer acreditar que tal possa vir a acontecer, “mas também já não queria acreditar quanto aos conteúdos desportivos”. E recorda que foi “por ação de um concorrente nosso” — a MEO — que se viram “obrigados a neutralizar um movimento de tentativa de utilização exclusiva de conteúdos”. Quanto aos conteúdos informativos, nesta fase não quer “acreditar que se vá por aí, até porque penso que é relativamente claro que o balanço final do processo todo associado aos conteúdos desportivos, do ponto de vista dos operadores, não foi positivo, devido ao aumento de custos, por isso a lição deve ser aprendida“.

Receita média mais baixa, mas mais conteúdos para compensar

A parceria com a Zap, em Angola, teve um impacto negativo nos resultados líquidos da Nos, mas Miguel Almeida mantém-se confiante no progresso da empresa. “Do ponto de vista operacional, a ZAP continua a ter um desempenho bastante positivo, e por isso estamos bastante satisfeitos. Já referimos o impacto negativo que tem nos nossos resultados líquidos, uma vez que houve uma desvalorização significativa da moeda local, e nós consolidamos em euros. Mas do ponto de vista do que é essencial, que é a solidez do negócio lá, continua a desenvolver-se de forma satisfatória”.

Em relação aos preços médios que os clientes da Nos pagam pelos serviços disponibilizados, esses continuam a cair — 2,1% em 2016, em média — e embora a receita média por serviço esteja mais baixa, têm “mais serviços para compensar, e daí o crescimento material que tivemos”.

Mas os utilizadores vão pagar mais em 2017

Miguel Almeida referiu que, entre as várias fontes de crescimento da estrutura de custos da Nos, o aumento dos custos regulatórios — que já aumentaram em 2016 e estão anunciados para aumentar ainda mais em 2017 — vão ter um impacto relevante, “uma vez que as taxas de espetro vão subir, algo que lamentamos profundamente”. Chamou a atenção para o facto de as regras definidas pelo leilão de espetro que ocorreu em 2012, a que concorreram os operadores com base num conjunto de regras, já terem sido alteradas duas vezes em três anos. A nova taxa de espetro ainda não saiu em portaria, mas a Nos já recebeu “indicações oficiais, por isso já não estamos no campo da especulação”, embora “não tenhamos ainda condições de avaliar” o valor concreto desse aumento.

Miguel Almeida pronunciou-se também quanto à taxa municipal de direitos de passagem e afirmou que a Nos, atualmente, paga perto de 30 milhões de euros, e considera que “Não nos passa pela cabeça que no momento em que a União e a Comissão Europeia recomendam de forma muito clara aos governos que atuem no sentido de promover a sociedade da informação e do gigabit, que atraiam a nova geração, a última coisa que faz algum sentido é trabalhar no sentido exatamente oposto, impedindo o acesso às condutas, que é absolutamente essencial para a expansão das redes da nova geração”.

Não nos passa sequer pela cabeça que o governo português vá contra aquilo que é uma claríssima recomendação da União Europeia. O objetivo destas recomendações é impedir que os países fiquem para trás, por isso seria muito estranho que o país quisesse ficar para trás.

Miguel Almeida

“Gostaríamos de ter visto uma Anacom mais empenhada”

Quando questionado acerca da avaliação que a Nos faz à prestação da Anacom, agora que o mandato está a chegar ao fim, Miguel Almeida quis poupar-se a críticas, mas chegou a ressalvar o “atraso de mais de dois anos a cumprir os seus próprios compromissos no que diz respeito à atualização das tarifas de terminação móvel. Mas como se costuma dizer em Portugal, mais vale tarde que nunca”. Também afirma que gostariam de “ter visto uma Anacom mais empenhada em dar voz ao setor, e de facto cumprir a sua missão de desenvolvimento do setor das comunicações de uma forma sustentada. Tomou a voz de causas populistas que em nada ajudam o setor, e que não nos agradaram, mas o balanço final é positivo“, afirmou.

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