OCDE: Portugal entre os países com maiores ganhos potenciais se investir em educação

  • Margarida Peixoto
  • 7 Março 2017

Portugal está entre os países da OCDE que maiores ganhos pode retirar se aplicar verbas orçamentais para reformar a educação e aumentar os benefícios para as famílias.

Portugal está entre os países que mais margem tem para progredir com a implementação de reformas estruturais na educação. O mesmo acontece com reformas para aumentar os benefícios para as famílias. A conclusão consta do relatório interino da OCDE, publicado esta terça-feira.

Se Portugal aplicar verbas do orçamento em reformas estruturais para melhorar o seu sistema de ensino, está entre os países que mais espaço tem para beneficiar de impactos positivos: tanto a nível de crescimento económico, como de aumento do rendimento dos mais pobres.

Se as reformas forem direcionadas para o aumento dos benefícios para as famílias, Portugal aparece destacado como um dos países que tem maior margem para progredir na redução das desigualdades.

Não é o único: a Grécia aparece igualmente destacada nestes dois parâmetros. Mas também surge como sendo dos países com maiores ganhos potenciais de reformas orientadas para aumentar a eficácia da governação.

Já Portugal não aparece destacado neste ponto, tal como também não consta no grupo dos países que pode retirar maiores ganhos potenciais do aumento do investimento público e em investigação e desenvolvimento, ou da redução dos subsídios públicos.

Este quadro da OCDE tem por base uma avaliação que dá conta da necessidade de os países fazerem um esforço maior por aplicar reformas estruturais que promovam o crescimento e que o torne mais inclusivo. Esta é uma das dificuldades identificadas pelo organismo liderado por Ángel Gurría, no relatório que deixa inalteradas as previsões de crescimento mundial para 2017 e 2018.

"Todos os países têm margem para reestruturar os seus gastos e políticas de impostos no sentido de um ‘mix’ mais amigo do crescimento e da igualdade, incluindo através do sistema de transferência de impostos.”

OCDE

Relatório interino, março 2017

“As iniciativas orçamentais devem redirecionar os gastos para investimentos que ajudem a ultrapassar as barreiras ao crescimento inclusivo de longo prazo, incluindo investimentos em infraestruturas soft, como é o caso da educação e investigação, juntamente com investimento em infraestruturas públicas”, defende a OCDE. E acrescenta: “Todos os países têm margem para reestruturar os seus gastos e políticas de impostos no sentido de um mix mais amigo do crescimento e da igualdade, incluindo através do sistema de transferência de impostos.”

As projeções da OCDE

A OCDE espera que a economia mundial cresça 3,3% em 2017 e 3,6% em 2018. Estas projeções estão inalteradas face às que tinham sido apresentadas em novembro de 2016. Contudo, a OCDE revê em ligeira alta o crescimento de economias como os Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Japão, Canadá e Reino Unido. Já para 2018 a maioria dos movimentos nas previsões destes países são no sentido de uma, também ligeira, baixa.

Para Portugal, o organismo não atualiza agora dados. No último relatório sobre a economia nacional, a OCDE apresentou uma previsão de crescimento de 1,2% para 2017 e de 1,3% em 2018 — números que estão abaixo das projeções do Executivo.

“Isto [as projeções atuais] vêm num contexto de um período de cinco anos em que a economia global tem estado numa armadilha de baixo crescimento“, avisa a OCDE. A consequência deste prolongamento de crescimentos contidos é um adiamento das opções de consumo e de investimento, promovendo-se uma contenção do PIB potencial.

Sair desta armadilha, “depende do impacto conjunto de escolhas de política macroeconómica, estrutural e de comércio, bem como na implementação concertada e efetiva de iniciativas já existentes”, frisa a OCDE.

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