Bloomberg: Mercados desconfiados com défice de 1,6% em 2017

Os mercados, segundo a agência financeira, estão mais confiantes em relação ao crescimento económico e ao emprego. Contudo, os números do défice continuam a ser uma preocupação.

A economia portuguesa vai expandir 1,5% em 2017, segundo uma sondagem da Bloomberg a 25 economistas, e o défice vai ficar em 2,6%. O crescimento previsto do PIB corresponde à estimativa feita pelo Governo e cimentada pela aceleração da economia no final de 2016, que dá um bom ponto de partida para este ano. Contudo, os números do défice são díspares: o Ministério das Finanças prevê 1,6% em 2017.

No anterior inquérito, os economistas consultados pela Bloomberg estimavam um défice de 2,5%. Essa previsão sobe agora para os 2,6%, na sondagem divulgada esta sexta-feira pela agência financeira, o que piora as perspetivas que os mercados têm em relação ao cumprimentos das metas governamentais no que toca às finanças públicas. Em 2018, os 25 economistas preveem que o défice seja de 2,5%.

Contudo, existem previsões melhoradas de um inquérito para o outro. É o caso da taxa de desemprego: os economistas estão mais confiantes e preveem até que a linha dos 10% seja ultrapassada, abandonando assim uma taxa de desemprego de dois dígitos que acompanha o país desde a crise. Este será um dos efeitos de uma economia a crescer mais, pelo menos este ano, tendo a estimativa do PIB passado de 1,2% para os 1,5%. Contudo, a perspetiva em relação a 2018 e 2019 é negativa com o crescimento da economia a desacelerar.

Já a inflação, tal como mostrou o mês de janeiro, vai acelerar nos próximos anos até 1,5% em 2019, acompanhando a evolução dos países da Zona Euro. As expectativas para a evolução da taxa de juro da dívida a 10 anos preveem que não ultrapassará a linha dos 4%, mas também não irá baixar significativamente, pelo menos em 2017. Em 2018, a evolução no mercado secundário levará a taxa de juro para perto dos 3%.

A sondagem foi realizada entre 3 e 9 de março. Segundo o inquérito, a possibilidade de haver uma recessão acontecer nos próximos doze meses é de 15%. Num comentário a 3 de março, o banco de investimento alemão, Berenberg, argumentava que o Governo de esquerda, em Portugal, reverteu reformas “chave” e que isso iria “pesar” na tendência de crescimento, “sendo mais difícil que os objetivos orçamentais sejam atingidos”.

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