INE revê estimativa em alta: PIB subiu 2% no último trimestre de 2016

  • Margarida Peixoto
  • 1 Março 2017

A economia portuguesa cresceu 1,4% no conjunto do ano passado. Mas nos últimos três meses de 2016, o PIB aumentou 2% em termos homólogos. O valor foi revisto em alta face à estimativa provisória.

A economia portuguesa cresceu 2% no último trimestre de 2016, revelou esta quarta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE). O valor foi revisto em alta face à estimativa provisória, que tinha sido de 1,9%. A melhoria do número não alterou, contudo, o valor para o conjunto do ano, que se manteve em 1,4%.

Tal como já tinha sido adiantado na estimativa rápida, o INE confirmou que a atividade económica andou a duas velocidades no ano passado: o primeiro semestre de 2016 foi mais fraco do que o segundo. Daí que a análise anual evidencie características bastante diferentes da análise trimestral.

Como correu o conjunto do ano?

Olhando para o conjunto de 2016, verifica-se um crescimento abaixo do conseguido em 2015, que atingiu 1,6%. A composição deste crescimento também foi diferente: o contributo da procura interna para a variação do PIB foi menor no ano passado, por causa do mau desempenho do investimento e “em menor grau”, diz o INE, pelo abrandamento do consumo privado.

Como consequência, as importações desaceleraram e a procura externa líquida acabou por dar um contributo maior para o crescimento de 2016, do que tinha sido dado em 2015. O INE nota que com estes resultados o saldo externo de bens e serviços aumentou significativamente — dos anteriores 0,7% do PIB para os atuais 1,2%. Mas este número beneficiou de ganhos nos termos de troca.

O resultado anual superou a meta mais recente do Governo — que apontou para 1,2% no âmbito da elaboração do Orçamento do Estado para 2017 — e as expectativas de vários economistas e da própria Comissão Europeia (ambos à espera de 1,3%). Ainda assim, fica aquém da primeira meta do Executivo para o ano de 2016, que era de 1,8%.

E como terminou 2016?

O quarto trimestre de 2016 trouxe uma novidade: o PIB cresceu ao ritmo mais elevado desde o segundo trimestre de 2010, quando aumentou 2,5% em termos homólogos. Este valor revela uma aceleração face ao terceiro trimestre, que ficou em 1,7% (também foi revisto uma décima em alta, face aos números anteriores).

Aqui, a leitura dos dados aponta para uma tendência substancialmente diferente dos valores anuais. O INE explica que esta aceleração do PIB resultou “do maior contributo da procura interna”. A diferença foi grande: em vez dos 1,1 pontos percentuais de contributo dado no terceiro trimestre, o contributo da procura interna para o crescimento nos últimos três meses de 2016 foi mais do dobro: 2,5 pontos percentuais.

A diferença está tanto numa recuperação do investimento, como numa aceleração do consumo privado. Mas nem tudo é positivo: à semelhança do que tem sido o registo histórico da atividade económica portuguesa, com a aceleração da procura interna as importações também aceleraram. Como este crescimento foi mais acentuado do que o das exportações, o resultado foi um contributo negativo da procura externa líquida de 0,6 pontos percentuais neste trimestre (longe dos anteriores 0,6 pontos positivos).

Fonte: INE

Já na análise em cadeia dos últimos três meses de 2016 o INE confirmou o valor que tinha sido avançado na estimativa provisória, de 0,6%. Os dados dos trimestres anteriores tiveram algumas revisões, ainda que sem impacto relevante para a leitura da tendência anual. Por exemplo, o crescimento em cadeia do terceiro trimestre foi revisto para 0,9%, em vez dos anteriores 0,8%. Mas o do segundo trimestre baixou para 0,2%, em vez de 0,3%. E o do primeiro trimestre subiu de 0,2% para 0,3%. O INE explica que estas revisões decorreram de nova informação sobre os deflatores de bens, no âmbito dos dado sobre o comércio internacional.

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