PIB supera expectativas e cresce 1,4% em 2016

  • Margarida Peixoto
  • 14 Fevereiro 2017

O PIB cresceu 1,4% no conjunto de 2016, revelou esta terça-feira o INE. Procura interna puxou pela economia. Nos últimos três meses do ano, o crescimento homólogo foi de 1,9%, acima da média do euro.

O PIB cresceu 1,4% no conjunto de 2016, revelou esta terça-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE), na estimativa rápida deste indicador. O número supera tanto as expectativas da Comissão Europeia, como as dos economistas — que apontavam ambos para um aumento de 1,3% — como ainda a meta definida pelo Governo em outubro, que era de 1,2%.

Este crescimento representa, ainda assim, um abrandamento face aos 1,6% registados em 2015 e fica longe do primeiro objetivo do Executivo, que era de 1,8%. O INE explica que “o contributo da procura interna para a variação do PIB diminuiu, refletindo a redução do Investimento e, em menor grau, a desaceleração do consumo privado”. Como consequência, “a procura externa líquida apresentou um contributo significativamente menos negativo que em 2015”, frisa ainda o gabinete de estatísticas.

Fonte: INE

Este crescimento anual foi conseguido com uma evolução marcadamente mais positiva do segundo semestre, do que do primeiro. Tal como no terceiro trimestre, os valores dos últimos meses do ano passado surpreenderam pela positiva, reforçando o crescimento.

Consumo e Investimento puxam pelo segundo semestre

No último trimestre do ano, o crescimento homólogo foi de 1,9%, acelerando face ao valor que tinha sido registado no terceiro trimestre (1,6%). Este valor ficou acima da média tanto do euro (1,7%), como na União Europeia (1,8%), mostram os dados revelados também esta terça-feira, pelo Eurostat.

"Esta aceleração do PIB resultou do aumento do contributo da procura interna, observando-se uma recuperação do investimento e um crescimento mais intenso do consumo privado.”

Estimativa rápida do 4º Trimestre

INE

“Esta aceleração do PIB resultou do aumento do contributo da procura interna, observando-se uma recuperação do Investimento e um crescimento mais intenso do consumo privado”, explica o INE, referindo-se à evolução homóloga.

Como o consumo privado puxou mais pela economia neste trimestre, o organismo de estatísticas explica que as importações aceleraram e fizeram com que o contributo da procura externa líquida tenha sido “negativo”, ao contrário do que tinha acontecido no terceiro trimestre.

Em cadeia o crescimento foi de 0,6%, ligeiramente abaixo dos 0,8% registados no terceiro trimestre mas mais uma vez acima dos parceiros europeus. O euro cresceu 0,4% em termos trimestrais e a União Europeia avançou 0,5%, divulgou o gabinete de estatísticas de Bruxelas.

Também na análise trimestral foi possível verificar um contributo maior da procura interna nos últimos meses do ano, quando comparados com o período de julho a setembro. Mas aqui o motor foi sobretudo o investimento, em vez do consumo: “O contributo da procura interna para a variação em cadeia do PIB passou de negativo no 3º trimestre para positivo, traduzindo, principalmente, a evolução do Investimento”, lê-se no boletim do INE.

Seja como for, verificou-se “um forte aumento das importações totais” que fez com que também nesta ótica a procura externa líquida tenha dado um contributo negativo.

Na reação aos dados, Manuel Caldeira Cabral, ministro da Economia, destacou “a perspetiva de que que está a haver uma aceleração do crescimento” e frisou que “as perspetivas para 2017 são melhores do que em 2016.” O ministro garantiu ainda que “as exportações voltaram a crescer” e defendeu que “isso está a resultar em mais confiança, mais crescimento, mais investimento.”

Espanha destaca-se pela positiva

No conjunto da zona euro, Espanha destacou-se pela positiva, com um crescimento de 3% no quarto trimestre, em termos homólogos. Em cadeia, a economia espanhola acelerou 0,7% nos últimos meses do ano passado.

França e Itália cresceram ambos 1,1%, também comparado com o último trimestre de 2015. Mas em cadeia as duas economias cresceram 0,4% e 0,2%, respetivamente. Já a Alemanha cresceu 1,8% em termos homólogos e 0,4% em cadeia.

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