Comissão espera mais crescimento económico que o Governo para 2017

  • Margarida Peixoto e Marta Santos Silva
  • 13 Fevereiro 2017

A Comissão Europeia está à espera de um crescimento de 1,6% para o PIB português deste ano, uma décima acima da projeção do Governo. A maior ajuda vem do turismo.

Bruxelas está ligeiramente mais otimista do que o Governo quanto ao crescimento económico de 2017. O Executivo conta com um aumento de 1,5% do PIB, enquanto a Comissão Europeia está a antecipar um crescimento de 1,6%. Os números constam das Previsões de Inverno divulgadas esta segunda-feira. Pierre Moscovici, comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, deu nota desse otimismo em Bruxelas.

“Estamos a trabalhar com grande proximidade e de forma construtiva e positiva com as autoridades portuguesas, e quando olho para os resultados gerais de Portugal vejo melhorias muito significativas”, afirmou Pierre Moscovici, na conferência de imprensa em que foram apresentadas as Previsões de Inverno, em Bruxelas.

Salientando a melhoria dos números do desemprego e também o crescimento económico, o comissário aproveitou ainda para referir que “será preciso tomar decisões este ano em relação ao Procedimento por Défice Excessivo”, já que o défice deverá cumprir as metas de Bruxelas tanto em 2016 como em 2017. Portugal conseguiu resultados “fortes e de grande melhoria”, sublinhou Moscovici.

Turismo deu a maior ajuda

No relatório, os peritos explicam que “a forte performance económica na segunda metade de 2016, particularmente do turismo, melhorou o outlook para a economia portuguesa.”

"O país expandiu assim a sua quota de mercado nas exportações em 2016, apesar dos estimados aumentos dos custos unitários do trabalho.”

Comissão Europeia

Previsões de Inverno

Os peritos identificaram um crescimento do setor exportador português mais forte do que o registado nos mercados internacionais, o que sugere um aumento da quota de mercado. Este movimento foi “ajudado pela performance muito forte do setor do turismo”, nota a Comissão. E conclui: “O país expandiu assim a sua quota de mercado nas exportações em 2016, apesar dos estimados aumentos dos custos unitários do trabalho”.

Estes ganhos permitiram alcançar um crescimento de 1,3% em 2016, apesar do primeiro semestre fraco que o país tinha registado. Esta previsão para o crescimento do ano passado vai ao encontro das estimativas mais recentes da equipa das Finanças, sabe o ECO. Os dados oficiais deverão ser revelados já esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística.

São também estes ganhos no turismo que melhoram o cenário da atividade económica para este ano. “Efeitos de carryover deverão manter a quota de mercado do país a subir em 2017, antes de estabilizar em 2018”, lê-se no relatório.

Investimento continua em risco

Na análise que faz ao país, a Comissão nota ainda que o investimento travou o crescimento em 2016 e frisa como principais motivos a mudança do quadro comunitário de apoio e as dificuldades que ainda se fazem sentir no crédito às empresas. E se a questão da entrada de fundos comunitários se deverá resolver, com a entrada deste financiamento no país à medida que o Portugal 2020 se agiliza, o travão que ainda está a ser imposto pela banca pode demorar mais a ter solução.

“Os riscos são negativos, já que os problemas por resolver no setor bancário podem travar a esperada recuperação do investimento”, alerta Bruxelas.

Ainda assim, o relatório dá conta da manutenção dos indicadores avançados para o investimento em Equipamento em terreno positivo. Já os indicadores para o investimento em Construção continuam bastante contidos. “No global, o investimento deverá ganhar ritmo em 2018 à medida que o novo período de programação do financiamento da União Europeia e as condições de crédito melhoram gradualmente”, dizem os peritos.

Excedente externo vai continuar a melhorar

Apesar de o saldo comercial poder degradar-se ligeiramente, porque as importações deverão recuperar ao longo do horizonte de projeção, o excedente de conta corrente vai continuar a melhorar, projeta Bruxelas. Isto acontecerá devido a “desenvolvimentos positivos no rendimento primário e transferências correntes traduzindo as baixas taxas de juro e o ciclo de financiamento da União Europeia”, diz o relatório.

A Comissão estima que a balança de conta corrente tenha passado a excedentária em 2016 (a evolução foi de um défice de 0,3% o PIB em 2015 para um superavit de 0,3% no ano passado) e reforce este ganho em 2017 e 2018. Este ano deverá ficar em 0,4% do PIB e no próximo em 0,6%.

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