Eurogrupo aguarda medidas pró-crescimento de Atenas. “Será um grande teste à credibilidade da Grécia”, avisa Moscovici

É a terceira reunião enquanto presidente do Eurogrupo. Mário Centeno reuniu esta segunda-feira com os ministros das Finanças da Zona Euro. No horizonte está o Conselho Europeu a 22 de março.

O Eurogrupo desta segunda-feira voltou a falar dos desenvolvimentos da Grécia num tom positivo, mas deixou avisos para o futuro. Os ministros das Finanças da Zona Euro aguardam com expectativa o programa de medidas pró-crescimento que o Governo de Alexis Tsipras tem de apresentar até à Páscoa. Na conferência de imprensa após a reunião, Pierre Moscovici, comissário europeu para os Assuntos Económicos, foi claro: “Será um grande teste à credibilidade da Grécia“.

As instituições europeias estão empenhadas em transformar o atribulado programa grego numa “história de sucesso”. É este o compromisso repetido mais do que uma vez por Pierre Moscovici que quer que a Grécia “volte a ser um país normal” dentro da União Europeia. “A dolorosa história do programa grego tem de ficar para trás“, afirmou.

Mas o mesmo comissário europeu não tem dúvidas de que quer “ter compromissos para o futuro” que mostrem que a estratégia da Grécia é séria. Em causa está o futuro do país após o fim do resgate — o que acontecerá em agosto — dado que em cima da mesa estão várias medidas de alívio da dívida grega, mas também a vigilância que as instituições europeias continuarão a fazer em Atenas.

Na agenda de curto prazo está a estratégia que as autoridades gregas têm de apresentar ao Eurogrupo para promover o crescimento económico. Esse documento terá de ser enviado no início de abril e será uma “estratégia da Grécia”, uma expressão repetida várias vezes pelos responsáveis europeus para mostrar que a responsabilidade está, neste momento, do lado de Alexis Tsipras. A mesma menção tinha sido feita por Centeno que sublinhou que queria dar a oportunidade à Grécia de ter a “total posse do processo”.

Apesar de assinalar que o Eurogrupo não irá “liderar essa estratégia ou ordenar uma direção”, Pierre Moscovici afirmou que esse documento “será um grande teste à credibilidade” do país e para o resto das discussões técnicas que decorrem sobre o fecho do programa. O comissário europeu espera que essas medidas pró-crescimento tragam uma “indicação forte” para o futuro prospero do país. “A Grécia tem de construir as condições para o sucesso”, argumentou.

Também presente na conferência de imprensa, Klaus Regling, diretor do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), garantiu que essas medidas serão importantes para aumentar o PIB potencial grego — algo ligado à sustentabilidade da dívida grega, cuja maior parte corresponde a empréstimos do Mecanismo. O diretor do MEE explicou ainda que a próxima tranche de 6,7 mil milhões de euros para a Grécia será dividida em duas: a primeira de 5,7 mil milhões de euros irá ser libertada na segunda quinzena deste mês e os restantes mil milhões de euros devem chegar a Atenas na primavera.

À entrada da reunião, Mário Centeno tinha dito que esperava estimular a economia grega com 5,7 mil milhões de euros da nova tranche e referiu que o Eurogrupo está a trabalhar numa saída “suave” da Grécia em agosto, mês em que termina o programa de assistência grego. A questão passa por saber se a Grécia terá uma “saída limpa”, como a de Portugal em 2014, ou irá recorrer a um programa cautelar, nomeadamente com a cedência de uma linha de crédito por precaução pelo MEE.

O Eurogrupo desta segunda-feira focou-se na situação grega numa altura em que se espera que seja libertada uma tranche de 5,7 mil milhões de euros, o que só deverá ocorrer a segunda quinzena de março. Além disso, os ministros das Finanças da Zona Euro prepararam a cimeira do Conselho Europeu de março e discutiram os desenvolvimentos da inflação.

Esta segunda-feira Mário Centeno aproveitou a ida a Bruxelas para se encontrar com o homólogo grego, Euclid Tsakalotos, tendo deixado no Twitter uma mensagem positiva sobre a implementação do programa grego. “Notável progresso”, classificou o presidente do Eurogrupo, que, anteriormente, se tinha reunido com Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, e Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, para preparar o próximo Conselho Europeu.

O jornalista viajou a convite da Comissão Europeia – Direção Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros (ECFIN).

(Notícia atualizada)

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