Bruxelas prevê mais emprego e aceleração da inflação na UE

  • Marta Santos Silva
  • 13 Fevereiro 2017

A estabilidade e resiliência da economia europeia vão voltar a ser postas à prova em 2017 e 2018, mas a Comissão Europeia prevê crescimento em todos os Estados membros, apesar de grandes riscos.

Enquadradas numa ótica de recuperação económica global, todas as economias da União Europeia devem crescer nos próximos anos, mas o risco é alto e a incerteza mais alta ainda. Apesar de tudo, a Comissão Europeia antevê, nas Previsões de Inverno para 2017, que a inflação aumente e o desemprego diminua.

É um ano cheio de incerteza para a União Europeia. Entre eleições decisivas em França, na Holanda, na Alemanha e possivelmente também em Itália, assim como o princípio das negociações de saída do Reino Unido, o próximo inverno mostra-se com riscos que tendem para o negativo, lê-se no comunicado que acompanhou a divulgação das Previsões de Inverno. A tudo isto junta-se ainda a presidência de Donald Trump nos Estados Unidos, cuja política económica, que ainda está a ganhar forma, pode acabar por ser prejudicial para a União Europeia.

Ainda assim, a visão geral parece ser positiva. Todas as economias da União vão expandir-se em 2017 e 2018, prevendo ainda a Comissão que todas terão crescido em 2016, o que, a confirmar-se, marcará a primeira vez desde 2008 que tal acontece. O crescimento poderá ser impulsionado pela recuperação mundial esperada nas economias emergentes, o que poderá aumentar as exportações europeias de bens e serviços.

Já a inflação vai aumentar em 2017 e diminuir ligeiramente em 2018, segundo as previsões da Comissão Europeia. Após dois anos de inflação muito baixa, empurrada pela inflação da energia a taxa geral deverá subir substancialmente nos próximos anos, desde 0,2% em 2016 para 1,7% em 2017 e 1,4% em 2018.

Do lado do défice, a previsão geral também é positiva, com quedas previstas para os próximos dois anos. O défice da Zona Euro deverá diminuir de 1,7% para 1,4%, o que reflete as taxas de juro mais baixas sobre a dívida soberana e também o maior emprego, que faz com que mais gente pague contribuições e impostos e menos gente receba prestações sociais.

“A recuperação económica europeia continua pelo quinto ano consecutivo. Mas nestes tempos incertos é importante que as economias europeias se mantenham competitivas e adaptáveis perante circunstâncias que podem mudar”, disse o vice-presidente da Comissão Europeia Valdis Dombrovskis, citado no comunicado. Quais as prioridades? “É necessário que haja um esforço contínuo para as reformas estruturais. Também precisamos de nos concentrar no crescimento inclusivo, de maneira a garantir que a recuperação chega a todos”.

Desemprego vai continuar a cair

O crescimento do emprego na União Europeia vai manter-se nos próximos dois anos, esperando a Comissão Europeia que a taxa de desemprego comunitária caia de 8,5% em 2016 para 8,1% em 2017 e 7,8% em 2018. Uma recuperação que traz os números do desemprego ao seu valor mais baixo desde 2009 — no entanto, mantêm-se acima dos registados antes do estalar da crise do subprime em 2008.

À medida que o emprego recupera e os salários sobem, o principal impulsionador do crescimento económico vai continuar ainda a ser o consumo das famílias. Consumo esse que poderá vir a abrandar nos próximos dois anos, porém, se se verificar a evolução prevista na inflação.

“O crescimento está a aguentar-se e o desemprego e os défices estão a cair”, afirmou Pierre Moscovici, Comissário para os Assuntos Económicos e Financeiros. “Mas com a incerteza a níveis tão altos, é mais importante do que nunca que utilizemos todas as ferramentas políticas para apoiar o crescimento. E acima de tudo temos de nos certificar de que os benefícios são sentidos em todas as partes da Zona Euro e em todos os segmentos da sociedade”.

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