OCDE: Crescimento vai depender das reformas estruturais

A organização liderada por Angel Gurría frisa que os "estrangulamentos estruturais continuam a retrair o crescimento e exacerba as vulnerabilidades". É necessário retomar o ímpeto reformista.

Angel Gurria e Mário Centeno

As perspetivas de crescimento em Portugal vão depender cada vez mais das políticas que permitam à economia concorrer com sucesso e gerar novas oportunidades de rendimento”. A conclusão é da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) no relatório hoje divulgado sobre a economia nacional.

A instituição liderada por Angel Gurria sublinha que os “estrangulamentos estruturais continuam a retrair o crescimento e exacerbam as vulnerabilidades”. Por isso, “lidar com alguns destes desafios” será “a base de um crescimento robusto ao longo dos próximo anos”, mas para isso “é necessário retomar o ímpeto das reformas estruturais”, alerta a OCDE.

O relatório sugere ainda que “a implementação das reformas pode ser melhorada e que uma avaliação sistemática das reformas estruturais já levadas a cabo permitirá definir melhor as necessidades de reformas futuras. Os esforços atuais neste sentido, incluindo a criação de uma unidade dedicada no Ministério das Finanças, são bem-vindos”.

A OCDE antecipa assim “um crescimento anual moderado”, de 1,2% em 2017, e refere que o consumo privado teve um papel importante recentemente, mas “deverá perder peso porque a criação de emprego é demasiado fraca para que as despesas dos consumidores continuarem a expandir-se ao nível atual”.

O investimento, é a chave para conseguir potenciar os ganhos nas exportações, deverá “continuar fraco” — “o investimento tem estado significativamente mais fraco do que nas outras economias do euro, particularmente desde 2010” e, “depois do forte declínio após a crise, o investimento está agora mais de 30% abaixo do nível de 2005”.

as exportações “vão crescer menos” do que nos anos anteriores, em parte devido à queda da procura da China e de Angola, mas deverá “continuar a ser a força por trás do crescimento neste ano e no próximo”. A organização liderada por Angel Gurría considera que as reformas estruturais já feitas permitiram um “reequilíbrio da economia para as exportações”, sublinhando que Portugal exporta agora mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB), quando em 2005 as exportações representavam apenas 27%.

Tendo em conta o “baixo crescimento”, mas também um salário mínimo mais elevado e a continuação da rigidez do mercado de trabalho, a OCDE antecipa que a queda do desemprego seja “muito mais lenta do que nos últimos dois anos” e que “é provável que o desemprego continue nos dois dígitos, entre os mais altos da União Europeia”. A previsão é de que a taxa fique nos 10,5%, sendo que nos jovens a taxa de desemprego será de 26,1%. Ainda assim, a OCDE reconhece que o indicador tem vindo a cair, mas continua em “níveis desconfortavelmente elevados”.

Previsões da OCDE

Fonte: OCDE
Fonte: OCDE; Valores em % da variação anual

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