Crédito ao consumo cai para mínimos de agosto

  • Marta Santos Silva
  • 15 Março 2017

A queda mais significativa deu-se no setor do crédito automóvel: o montante concedido em empréstimo caiu 20% nas diferentes modalidades deste tipo de crédito.

Os créditos concedidos aos consumidores caíram para mínimos de agosto de 2016 em fevereiro, com a principal queda a centrar-se na área do crédito automóvel. Em janeiro a concessão de crédito caiu 8,7% em relação ao mês anterior, uma queda movida principalmente pela queda na concessão de crédito automóvel, que caiu 20% nas diferentes modalidades.

Os dados divulgados esta quarta-feira pelo Banco de Portugal mostram uma queda marcada na área do crédito automóvel, uma modalidade que, no ano de 2016, cresceu 27%. Na verdade, o ano passado foi recorde para o crédito ao consumo, que atingiu máximos desde sempre, com quase seis mil milhões de euros disponibilizados. Agora, o mês de janeiro de 2017 mostra-se mais mortiço, com uma queda de 12,8% em relação ao mês anterior, embora represente um aumento de 26% comparado com o mês homólogo.

Montante dos novos contratos de crédito aos consumidores

Em milhares de euros. Fonte: Banco de Portugal.

No total, em janeiro foram concedidos 494 milhões de euros em crédito aos consumidores. É uma queda substancial relativamente aos valores de dezembro e também aos de novembro, que tiveram um impulso especial com o período natalício para chegarem a um máximo nunca atingido na série registada desde 2013. Janeiro fica, assim, mais perto dos níveis registados em agosto do ano passado.

A queda que se registou em particular no setor automóvel pode estar relacionada com as promoções habituais no final do ano por parte das concessionárias para escoar os modelos, o que fez aumentar o número de pedidos e os montantes concedidos para este fim no final de 2016. Em janeiro, o montante concedido para compra de um automóvel usado (locação financeira ou ALD) caiu mesmo 44,2% em relação ao mês anterior.

No campo do crédito pessoal, o crédito com fins relacionados com a educação, a saúde, as energias renováveis e a locação financeira de equipamentos também caiu: foram concedidos três milhões de euros, menos 23,3% do que em dezembro. Os restantes créditos pessoais, para outros efeitos, caíram apenas 4,4%, para os 217 milhões de euros.

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