Já há um concelho onde a CGD não tem balcão. Tem uma máquina

  • Rita Atalaia
  • 22 Março 2017

A redução do número de balcões já chegou à Madeira. Em Porto Moniz, havia uma agência da CGD com funcionários. Agora já só há... uma máquina. É o único concelho onde a Caixa já é só automática.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) quer fechar cerca de duas centenas de balcões com funcionários nos próximos três anos. As agências vão fazer falta? Vão. Que o diga Porto Moniz, na Madeira, onde os cortes já chegaram. É, por agora, o único concelho no país onde só existe uma caixa automática. Havia um balcão com funcionários, mas substituído por uma máquina. Agora quando alguém precisa de fazer uma operação que só mesmo ao balcão tem de se dirigir ao concelho mais próximo, situação que em breve se poderá verificar noutros concelhos do país.

Quando quer levantar dinheiro, basta ir a um Multibanco. Mas se quer, por exemplo, fechar uma conta, então tem de se dirigir a um balcão com funcionários para realizar esta operação. Isto já não é possível em Porto Moniz, na Madeira. Pelo menos não na CGD. Este é o único concelho em Portugal onde a população apenas tem uma máquina automática da CGD. Para falar cara a cara com o gestor de conta tem de se dirigir ao concelho mais próximo, a quase 20 quilómetros de distância.

O balcão [com funcionários] passou de estar aberto o dia todo para funcionar apenas a meio tempo. Depois, começou a abrir três vezes por semana, até que fechou em janeiro ou fevereiro. Desde então só há um Multibanco.

Fonte oficial da Junta de Freguesia de Porto Moniz

Fonte oficial da Junta de Freguesia de Porto Moniz explica ao ECO que já houve ali um balcão com a presença de funcionários. “O balcão [com funcionários] passou de estar aberto o dia todo para funcionar apenas a meio tempo. Depois, começou a abrir três vezes por semana, até que fechou em janeiro ou fevereiro“, diz a fonte.

Desde então há apenas uma caixa automática — no site da CGD existe uma agência, mas é uma agência automática, ou seja, sem presença de qualquer funcionário. As pessoas que precisam de se dirigir a um balcão têm de ir ao concelho mais próximo, que é o de São Vicente. “Estamos dependentes do horário de um autocarro e nem todas as pessoas têm a possibilidade de fazer essa deslocação”, refere ao ECO, realçando o transtorno que isto tem causado.

Fecha-se balcão, deixa-se uma máquina

Olhando para a demonstração de resultados da CGD, o banco estatal tinha 717 agências no país até ao final do ano passado. Mas este número inclui balcões com presença física mas também agências automáticas. Ou seja, caixas automáticas da CGD. Por isso quando a Caixa diz que quer passar de 651 para entre 470 e 490 daqui a três anos, refere-se apenas aos balcões onde há funcionários.

E onde estes forem fechados, poder-se-á compensar esta ausência com uma agência automática, esclarece fonte oficial da CGD ao ECO. Em todo país, em 215 dos 308 concelhos do país já só existe um balcão da Caixa — cerca de 70% do total das agências do banco estatal –, pelo que esta situação de haver agências automáticas poderá ser mais comum.

Estes cortes, previstos no plano acordado com Bruxelas, foram revelados no mesmo dia em que a CGD apresentou prejuízos históricos de 1.859 milhões de euros, justificados pela constituição de novas imparidades. Na ocasião, o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, referiu que o plano de reestruturação e reorganização prevê a redução de mais de 2.200 trabalhadores até 2020 e o fecho entre 160 a 180 agências.

Desde então a polémica sobre a questão do encerramento dos balcões entrou na esfera política, e quase todos os partidos com assento no Parlamento, incluindo o PS, já vieram pedir explicações ao Governo. Confrontado com esta questão, António Costa disse estar “totalmente confortável com a decisão, se não não teríamos aprovado o plano de reestruturação da Caixa”.

O primeiro-ministro, em declarações transmitidas pela RTP 3, à saída de uma reunião com o Conselho Nacional das Ordens Profissionais, acrescentou ainda que esse “plano de reestruturação garante a presença da Caixa em todo o país e em todos os concelhos”. Mas o presidente da CGD disse na apresentação dos resultados para 2016 que se a instituição financeira ficasse em todos os sítios onde os outros bancos não querem ficar, “então a CGD não saía dos seis anos de prejuízos que teve”. Em Porto Moniz, a Caixa já só tem uma máquina. E os outros bancos? Há um balcão do Santander Totta e outro do Novo Banco.

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