Portugal Fashion: Oito milhões para apoiar a moda

Entre 2015 e 2017, o Portugal Fashion recebeu oito milhões de euros do programa operacional das empresas (o Compete) para alavancar um investimento de 15,97 milhões de euros.

Os modelos desfilam, um após o outro. Vestidos, sapatos, calças, casacos e acessórios ganham vida sob as luzes fortes da passerelle. Foram meses de trabalho que culminam neste ponto alto. É assim com todos os criadores e em todos os desfiles. O Portugal Fashion não é diferente. Hoje arranca a 40ª edição com a coleção outono/inverno de mulher, do ‘designer’ Pedro Pedro.

O desfile é a festa. Não basta. Há todo um trabalho posterior necessário ao sucesso comercial das marcas. E é aqui que os fundos comunitários desempenham um papel fundamental. Entre 2015 e 2017, o Portugal Fashion recebeu oito milhões de euros do programa operacional das empresas (o Compete) para alavancar um investimento de 15,97 milhões de euros. Um investimento que não é, na sua totalidade, elegível para obter financiamento comunitário (só 9,41 milhões são passíveis de obter apoios do Portugal 2020).

Segundo o presidente da ANJE, Adelino Costa Matos, “o Portugal Fashion é um bom exemplo de retorno e reprodutividade dos incentivos à economia”. “O investimento comunitário no Portugal Fashion é inteiramente justificado pelos resultados e pela missão ímpar deste projeto”, disse o responsável em declarações ao ECO.

Costa Matos considera que o evento contribuiu para “a mudança de paradigma da fileira ‘moda'”. “Com o apoio do evento, indústria e criadores evoluíram no sentido de uma aposta nos fatores críticos de competitividade, como a qualidade, a inovação, o design, a distribuição, entre outros”. E exemplifica: “Para se ter uma ideia, os criadores e marcas que habitualmente participam no Portugal Fashion representam uma faturação anual de cerca de 500 milhões de euros, montante que resulta em 65 a 70% de exportações. Refira-se ainda que estes criadores e marcas empregam cerca de 15 mil trabalhadores, para além dos postos de trabalho indiretos que ajudam a criar”.

Portugal Fashion. Kris Atomic

Muito do trabalho passa pelo aprofundamento das “sinergias com os setores do têxtil, do vestuário, do calçado e da joalharia; apoiou a internacionalização de vários criadores e marcas portugueses, o que envolveu a produção de desfiles mas também a organização de apresentações à imprensa, de visitas de agentes de compras e de encontros com possíveis financiadores; está presente nas principais semanas da moda internacionais (Londres, Milão, Nova Iorque e Paris); renovou o panorama da moda nacional possibilitando a participação no evento de mais de 40 jovens designers, a partir da plataforma Bloom; e dinamizou a sua vertente comercial com showrooms internacionais, através do projeto Next Step”.

Os apoios para este triénio estão a chegar ao fim, mas a ANJE promete “prosseguir as principais linhas de ação do projeto: promover sinergias entre indústria e criadores; aprofundar a estratégia de internacionalização; complementar os desfiles com showrooms; criar oportunidades de negócio para criadores e marcas; consolidar o made in Portugal como um fator de valor acrescentado; reforçar as relações com agentes de compras (nacionais e internacionais)”.

Modelo Nuno Janeiro no desfile de outubro de 2004.

Mas apesar desta linha de continuidade, Costa Matos garante que o Portugal Fashion “não deixará de inovar e reinventar-se”. Tudo para que o evento “crie cada vez maior valor com a sua missão de promoção da moda enquanto fenómeno económico, social e cultural”. “É também nossa intenção alargar as ações de internacionalização da moda portuguesa aos países emergentes, cujos mercados conhecem uma crescente apetência por artigos de vestuário de qualidade superior e com design“, acrescentou ainda o presidente da associação de jovens empresários.

E, neste capítulo da internacionalização, os responsáveis pelo Portugal Fashion querem que este “seja um veículo de promoção das grandes potencialidades e fatores diferenciadores do país”. “Ou seja, pretendemos reforçar a associação do evento ao made in Portugal, recorrendo à sua notabilidade institucional e à sua capacidade comunicacional para promover o que de melhor é feito no nosso país. Isto significa ir para além da fileira moda, passando a divulgar outras áreas de atividade, outros produtos, outras tecnologias, outras expressões criativas”, explicou Costa Matos.

Modelo Fiona, em desfile da Fátima Lopes, em outubro de 2004.

A introdução de novos fatores competitivos, como a indústria 4.0, os novos materiais, os têxteis inteligentes e interativos são outras apostas do Portugal Fashion.

 

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