Bruxelas reconhece esforços da banca. Mas pede mais medidas

  • Rita Atalaia
  • 27 Março 2017

Depois da OCDE, BCE e S&P, agora é a vez de a Comissão Europeia vir alertar Portugal sobre o problema do malparado na banca. Reconhece que foram feitos esforços, mas pede soluções "abrangentes".

A Comissão Europeia reconhece progressos no setor bancário português. Mas também alerta que são necessários mais esforços para reduzir a vulnerabilidade da banca nacional. As instituições financeiras continuam a ser pressionadas pela fraca qualidade dos ativos, almofadas de capital reduzidas e baixa rentabilidade. E as soluções propostas pelo Governo? As autoridades europeias consideram que estão na direção certa, mas que a abordagem tem de ser mais “abrangente”.

“Apesar de alguns desenvolvimentos positivos, o setor bancário português continua frágil devido à rentabilidade fraca, almofadas de capital reduzidas e nível elevado de empréstimos em incumprimento“. É assim que a Comissão Europeia analisa o setor financeiro nacional no relatório da quinta avaliação pós-programa de resgate de Portugal.

Apesar de alguns desenvolvimentos positivos, o setor bancário português continua frágil devido à rentabilidade fraca, almofadas de capital reduzidas e nível elevado de empréstimos em incumprimento.

Comissão Europeia

A Comissão diz que os bancos continuam a desalavancar os balanços, num cenário de aumento dos empréstimos, mas que é preciso fazer mais. As autoridades europeias defendem que são necessários “mais esforços” para diminuir a vulnerabilidade do setor, lê-se no relatório, que destaca a fraca qualidade dos ativos e a baixa rentabilidade, que continuou a diminuir em 2016.

O crédito malparado continua a ser uma preocupação para as autoridades nacionais e europeias, pesando nos balanços dos bancos. Segundo o documento, a percentagem de crédito em risco de incumprimento em relação ao crédito total continuou a aumentar (embora a um ritmo lento) nos primeiros três trimestres de 2016 para 12,6%, mas está ligeiramente abaixo dos máximos registados no terceiro trimestre de 2015 (12,9%).

Soluções? É preciso fazer mais

“Alguns bancos portugueses estão a passar por recapitalizações importantes ou a atrair novos acionistas, o que pode ajudar a reforçar a sua base de capital”, referem as autoridades. Mas as soluções propostas pelo Governo português para diminuir o malparado, “embora estejam na direção certa, não têm um abordagem abrangente” e beneficiariam se houvesse um calendário para a concretização dos alvos.

A Comissão não é a única entidade a pedir mais. O mesmo já foi feito pela S&P. Se, por um lado, reconhece que foram feitos progressos, por outro, a agência de notação referiu que o Governo e as instituições financeiras têm de adotar mais medidas para se reduzir o nível elevado de crédito malparado no balanço dos bancos.

Para o Banco Central Europeu, têm de ser os bancos a apresentar planos “realistas” e “ambiciosos” para reduzir o crédito malparado que está nos balanços das instituições financeiras. Um problema que tem limitado o investimento privado e a realocação de recursos, alertou também a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.

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