Fitch: CGD mais forte, mas malparado ainda é uma ameaça

  • Rita Atalaia
  • 16 Março 2017

A agência diz que o aumento de capital da CGD vai permitir reforçar os rácios de capital. Mas deixa um alerta: o malparado continua a pesar no banco, uma realidade transversal ao setor financeiro.

O capital que o Estado vai injetar na Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai permitir que o banco público reforce as almofadas de capital. A conclusão é da agência de notação Fitch Ratings. Um aumento de capital que também inclui a emissão de dívida subordinada. Apesar de serem títulos de elevado risco, a agência diz que a CGD apenas vai deixar de pagar se os rácios de capital caírem para os 8,25%, um nível ainda distante dos atuais rácios do banco. A Fitch deixa, contudo, um alerta: o crédito malparado continua a pesar muito no balanço do banco.

A CGD tem em curso um aumento de capital. Uma operação que vai permitir que o banco reforce os rácios de capital, diz a Fitch Ratings. O aumento de capital “vai permitir que a CGD recupere os rácios de capital, que foram penalizados pelo reconhecimento de muitas imparidades em 2016”, diz. A agência de notação refere que o rácio CET1 (faseado) da CGD é de 12%, numa base consolidada, e de 13,7%, numa base não consolidada.

"[O aumento de capital] vai permitir que a CGD recupere os rácios de capital, que foram penalizados pelo reconhecimento de muitas imparidades em 2016.”

Fitch Ratings

Mas a segunda parte do plano de recapitalização da Caixa também inclui a emissão de dívida subordinada. O road show para atrair investidores para estes títulos perpétuos da CGD já arrancou. A Fitch Ratings alerta: os rácios de capital do banco público não precisam de cair para o nível do cupão definido para esta operação — de 5,125% — para deixar de pagar. A agência de notação diz que basta chegar aos 8,25%, o valor definido pelo processo de análise e avaliação para fins de supervisão. Os rácios ainda estão distantes destes níveis, mas há que recordar que estes títulos são perpétuos até que a Caixa consiga recomprar esta dívida.

“Só emite dívida subordinada quem tem de emitir. Porque é uma dívida que tem características de remuneração elevadas e que pesa no balanço dos bancos”, explicou Paulo Macedo na apresentação de contas. Tendo em conta o nível de risco destes títulos, o rating desta emissão será de B-, sendo atribuído pela Fitch. Ou seja, é “lixo”, ficando três patamares abaixo da notação que atribui à CGD (BB-). E a agência apenas subirá os títulos em nível se o rating do banco subir dois.

A Fitch avisa, contudo, que o peso do crédito malparado não provisionado no banco é elevado, tornando o banco vulnerável a atrasos no plano de redução dos empréstimos em incumprimento, em particular num contexto de crescimento económico em Portugal. Mas esta realidade não é exclusiva à CGD, mas transversal aos outros bancos.

Montepio: fraca liquidez, fraca qualidade dos ativos, fraca rentabilidade

A má qualidade dos ativos continua a pesar na CGD, BPI, BCP e, em particular, na Caixa Económica Montepio Geral, diz a Fitch Ratings. Segundo o presidente da Associação Mutualista Montepio Geral, o banco não vai precisar de mais aumentos de capital. Mas, olhando para a análise da Fitch, o cenário não é muito favorável.

A agência de notação atribui um rating B, refletindo “a fraca capitalização e almofadas de capital baixas em comparação com os requisitos mínimos de capital“. Isto em conjunto com a “fraca qualidade dos ativos” quando comparado com os pares europeus.

Mas há mais: “A rentabilidade do banco é fraca e muito penalizada pelo nível elevado do crédito malparado e cenário operacional desafiante em Portugal”, refere a Fitch. A agência de notação diz que o rácio de empréstimos em incumprimento era de 20% até ao final de junho de 2016 e que “deve continuar estável”. Sobre os rácios de cobertura, diz que são “baixos”.

Isto depois de o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, ter garantido que “do ponto de vista do acompanhamento que o Ministério tem feito, os rácios de cobertura” dos produtos da associação “têm-se mantido em níveis confortáveis”.

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