Crédito no nível mais baixo em dez anos. Depósitos em queda

Apesar do aumento na concessão, o crédito às famílias continua em queda. O saldo recuou para o valor mais baixo em dez anos. Ao mesmo tempo, o valor aplicado em depósitos caiu para mínimo de 11 meses.

Os bancos estão a dar mais crédito? Estão, mas não tanto que permita que, em termos líquidos, o saldo dos empréstimos concedidos às famílias portuguesas seja, efetivamente, mais elevado. Assim, o crédito total a particulares continua a cair, tendo atingido o valor mais baixo em dez anos, isto ao mesmo tempo que os montantes confiados pelas famílias às instituições financeiras recuaram para um mínimo de quase um ano.

O saldo de crédito às famílias encolheu pelo nono mês consecutivo, de acordo com os dados do Banco Central Europeu (BCE). Registou, em fevereiro, uma quebra de 0,14%, com o saldo a encolher para 117,4 mil milhões de euros. É preciso recuar até fevereiro de 2007, há dez anos, para encontrar um valor tão baixo quanto o atual. Este resultado reflete essencialmente a manutenção da quebra no saldo dos empréstimos para a compra de casa.

Apesar de se ter assistido a um crescimento do financiamento para a compra de habitação, e da banca mostrar que está disponível para financiar estas operações ao reduzir os spreads exigidos, o saldo de crédito com este fim mostra que o ritmo a que são concedidos esses novos créditos é manifestamente reduzido face ao ritmo de amortização de empréstimos (fruto das taxas negativas dos indexantes). O saldo encolheu em 0,21%, em fevereiro, baixando para 95 mil milhões de euros, o mais baixo desde março de 2007.

O crédito para outros fins também está a encolher, com o saldo a cifrar-se em 8,7 mil milhões de euros, uma quebra de 0,39% face ao primeiro mês do ano, já os empréstimos ao consumo retomaram a tendência de crescimento. Depois da quebra em dezembro e janeiro, em fevereiro, de acordo com o BCE, o saldo destes empréstimos subiu 0,51% para 13,71 mil milhões de euros. Grande parte deste crédito ao consumo é destinada à compra de automóveis.

Menos crédito, menos depósitos

Ao mesmo tempo que se assiste a uma quebra no saldo dos créditos concedidos pelos bancos às famílias, estas mesmas famílias estão a retirar dinheiro dos bancos. Os dados do BCE mostram que o saldo de aplicações junto das instituições financeiras encolheu em fevereiro pelo segundo mês consecutivo para um mínimo de quase um ano. O montante total confiado aos bancos está, agora, em 141,84 mil milhões de euros.

Depois do aumento verificado em dezembro, altura em que muitos portugueses recebem subsídio de Natal, janeiro e fevereiro foram meses de quebra nos saldos dos depósitos, sendo que já antes de dezembro se tinha assistido a quatro meses consecutivos de redução dos saldos. Esta evolução traduz, em parte, o facto de as famílias estarem a consumir mais, encolhendo as poupanças, mas também reflete a procura por soluções mais atrativas para as poupanças. As OTRV são um exemplo.

Enquanto os depósitos até dois anos registaram um crescimento de 0,41%, para 65,34 mil milhões de euros, as aplicações de mais longo prazo continuam a encolher: 32,86 mil milhões de euros. E o saldo à ordem continua elevado. Havia, em fevereiro, 43,3 mil milhões de euros em contas sem qualquer tipo de remuneração, segundo dados do BCE, isto quando a taxa média das novas aplicações a prazo está no nível mais baixo de sempre: 0,33%.

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