Centeno sobre Montepio: “Estou descansado em relação ao meu trabalho”

  • ECO
  • 30 Março 2017

O ministro das Finanças garantiu estar "descansado" sobre o caso Montepio, tal como tinha dito na passada sexta-feira. Mário Centeno não quis comentar a idoneidade de Tomás Correia.

“Estou descansado em relação ao meu trabalho em relação a essas situações”. É com esta frase que o ministro das Finanças responde, em entrevista do jornal Público, quando questionado sobre a situação que o Montepio enfrenta. Mário Centeno não quis responder a perguntas relacionadas com os problemas do banco, nomeadamente sobre a idoneidade de Tomás Correia, o presidente do Associação Mutualista Montepio Geral. Mas não perdeu a oportunidade para criticar novamente a saída limpa da troika que, argumenta, ignorou a situação do sistema bancário português.

“Aquilo que aconteceu em Portugal, a que me referi como uma saída limpa pequena [do programa da troika], foi que o sistema financeiro não estava preparado para acompanhar o crescimento económico“, atacou Mário Centeno, referindo que um dos erros do passado foi esquecer a ligação entre a economia e o sistema financeiro. “A consistência do sistema financeiro depende da consistência da economia, e o inverso também é verdade”, afirmou. Para o ministro das Finanças os indicadores económico dão “consistência” aos processos da área financeira.

Mário Centeno defende que “todas as instituições financeiras portuguesas, para terem uma situação estável, quando projetada no futuro, precisam de uma economia que as sustente, e o inverso também é necessário”, referindo que um bom sinal foi a emissão de dívida perpétua da CGD na semana passada. O titular da pasta das Finanças diz que a falta de estabilização do sistema financeiro provocou uma desaceleração da economia na segunda meta de 2015. “Era necessário, para ganhar um ritmo de crescimento forte, que o sistema financeiro fosse estabilizado“, argumenta.

O atual Governo está neste momento a finalizar duas frente em bancos: a primeira é a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, processo que deve estar concluído esta quinta-feira; a segunda é a venda do Novo Banco ao Lone Star que, segundo o primeiro-ministro, é uma operação que estará concluída ainda esta semana, ou seja, no máximo amanhã, sexta-feira. “O que temos estado a fazer reforça o sistema financeiro“, garante Centeno em entrevista. Mas existe um outro banco com problemas, o Montepio, que encerrou o ano de 2016 com 86,5 milhões de euros de prejuízos.

O banco vai ter de apresentar um plano para mudar a marca — garantiu o atual presidente executivo Félix Morgado — uma exigência do Banco de Portugal que encontrou várias falhas na gestão do Montepio. O supervisor quer acelerar o processo de separação entre a Associação Mutualista e o banco Montepio, tendo dado o prazo de um mês. A intenção é afastar o banco de riscos de reputação caso haja problemas em resgates de produtos financeiros de clientes da Mutualista.

O problema adensou-se esta quarta-feira depois de a imprensa ter noticiado que Tomás Correia teria sido constituído arguido na Operação Marquês. Entretanto, o presidente da Associação já veio negar as notícias, dizendo que desmente “categoricamente qualquer envolvimento com a referida Operação Marquês, não estando constituído como parte no citado processo”, de acordo com um comunicado enviado às redações. Sobre este caso, Centeno foi claro: “Não estou a emitir nenhuma opinião sobre Tomás Correia, nem sobre o Montepio, estou a falar do conjunto do sistema”.

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