Governo vai rever meta do PIB para perto de 2%

O Governo vai rever em alta a meta do PIB em 2017 de 1,5% para perto de 2%, graças ao final do ano passado. Centeno adiantou que o preço de uma solução para os NPLs será de cinco mil milhões de euros.

Em Londres, na sede da Bloomberg, o ministro das Finanças português aproveitou para dar as boas novas: o Governo vai rever em alta a meta do crescimento económico em 2017. No Orçamento do Estado para 2017 o Executivo estimou uma subida de 1,5% do PIB, mas o surpreendente quarto trimestre de 2016 implicar uma taxa de crescimento de 1% no primeiro trimestre de 2017. Isso vai permitir ao Governo atualizar a meta para perto de 2%, anunciou Mário Centeno.

O efeito de ‘carry-over’ (é a contribuição que o crescimento de um ano dá à atividade económica do ano seguinte) dos últimos meses de 2016 vão beneficiar os primeiros meses de 2017. É essa a expectativa de Centeno que revelou ainda ter sinais de que no primeiro trimestre a atividade económica continua a acelerar. Em termos homólogos, o primeiro trimestre deste ano ficará “claramente” acima de 2%, segundo as palavras do ministro das Finanças, citadas pela Bloomberg.

Centeno referiu que as projeções atuais para o total do ano do Governo vão ser revistas e serão “certamente” superiores a 1,5%. Em entrevista à Bloomberg, o titular da pasta das Finanças tinha aproveitado o momento para fazer um retrato da situação económica portuguesa: “Portugal está a gerar superavits orçamentais, em torno de 2%”, notou, acrescentando que em 2017 o país vai gerar “um superavit perto de 3%”.

“Estamos em posição de sair do PDE [Procedimento por Défices Excessivos] e isto vai ser uma melhoria na situação de Portugal e na sua credibilidade”, garantiu Centeno, enviando desta forma uma mensagem para os mercados que têm pressionado mais os juros da dívida portuguesa em relação aos juros da dívidas dos restantes países europeus. A taxa de juro da dívida a 10 anos está acima dos 4%.

Prevê-se que a atualização desta meta do Produto Interno Bruto para 2017 seja feita no Programa Nacional de Reformas que o Governo terá de entregar no Parlamento no final de abril e também no Programa de Estabilidade que terá entregar em Bruxelas na mesma altura.

Os problemas da banca: 5.000 milhões de euros para o crédito malparado

Mário Centeno adiantou ainda que o Governo quer uma solução sistémica para o crédito malparado (NPLs), reforçando a ideia de que os bancos estão agora numa posição melhor para reagir a uma possível solução nesta área. O ministro das Finanças referiu que o nível de NPLs estão a descer. “Na nossa opinião uma solução que traga para o sistema financeiro cerca de cinco mil milhões de euros fará com que a prazo se consiga resolver o problema”, afirmou o ministro das Finanças.

Para já o Executivo tem ainda de finalizar o processo de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, o que deverá acontecer esta quinta-feira, com os 2,5 mil milhões de euros de dinheiro público a chegar aos cofres do banco público. Além disso, segundo António Costa, o processo de venda do Novo Banco será finalizado ainda esta semana com a venda à Lone Star a entrar nos últimos momentos de negociação.

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