OPA à EDP Renováveis “é o mercado a funcionar”

Paulo Rodrigues da Silva diz que a oferta da EDP sobre a EDP Renováveis é uma "operação particular", mas diz que as OPA fazem parte do funcionamento do mercado.

A EDP lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a EDP Renováveis. Nove anos depois de a colocar em bolsa, pretende, agora, retirá-la do mercado. Paulo Rodrigues da Silva, o novo presidente da Euronext Lisboa, diz que é normal que estas operações aconteçam. “OPA, OPV… é o mercado a funcionar”. E a bolsa nacional tem de se adaptar. Como? Olhando para empresas mais pequenas.

“O caso da EDP Renováveis é particular. É uma empresa que 77,5% do capital é propriedade de outra [a EDP, que agora pretende comprar o remanescente dos títulos em bolsa por um valor de 6,80 euros, cada]. “Não é diferente do que fez a Iberdrola [com a retirada de bolsa da Iberdrola Renovables]”, sendo que este movimento foi, nos últimos anos, transversal às energias renováveis na Europa.

“São OPA, OPV… é o mercado a funcionar”, diz, num encontro com jornalistas realizado na Euronext Lisboa. “Se me preocupa que não haja grandes empresas? São situações que acontecem”, diz Paulo Rodrigues da Silva. “O mercado é o que é. Temos de responder a economia”, acrescenta, salientando que a bolsa está a procurar adaptar-se à nova realidade.

“Vivemos um momento de transição em Portugal. Tivemos empresas muito grandes que acabaram por sair da bolsa. Agora, estamos a ter o aparecimento de novas e pequenas empresas. Vai ser uma bolsa diferente. Vai ser constituída como uma bolsa com entidades que veem na bolsa uma oportunidade”, nota.

“Estamos a trabalhar com as empresas. Explicar o que é a bolsa, explicar que não é um ‘bicho de sete cabeças’. Há um trabalho de cooperação com o Governo, com o regulador, e com as associações empresariais”, refere. Mas “os resultados não são imediatos. É uma atuação de médio e longo prazo”.

Mais empresas ainda este ano?

Antes de assumir a liderança da Euronext Lisboa, após a saída da CGD, o cargo de Paulo Rodrigues da Silva pertencia a Maria João Carioca. Quando saiu, a ex-presidente disse que havia boas perspetivas para a entrada a breve prazo de novas empresas na bolsa nacional, no seguimento da Patris.

O responsável da gestora da bolsa de Lisboa diz, numa das primeiras intervenções no cargo, que “é difícil que ocorram este ano”. “Temos estes contactos. Conseguimos encontrar quatro ou cinco empresas que podem vir para a bolsa”, mas não deverá ser para já. “Têm de passar por um processo de preparação” para a admissão ao mercado de capitais.

Três setores entre os eleitos

Paulo Rodrigues da Silva faz mira a empresas familiares e tecnológicas para a entrada no mercado de capitais. De que setores? “Turismo, vinhos e químicas”, estão na lista de preferências do novo presidente da bolsa nacional, que não quis adiantar quaisquer nomes entre estes setores.

Mas “nem todas as empresas devem ir. Se for para continuar a fazer o que faz, não vale a pena. Deve ser num momento de expansão e de transição geracional. E não vêm logo para o mercado de ações… começam pela dívida para diversificarem as fontes de financiamento”, salienta. Mas também há, do lado das cotadas, preocupações com a governance, problemas com minoritários, e com o preço. Mas o “custo nunca foi uma limitação”.

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