“Novo Banco não foi vendido, foi dado. É a solução menos má”

Luís Marques Mendes considera que a solução encontrada para o Novo Banco foi a menos má. Apesar de ter sido dado, o Governo resolveu um problema.

O Novo Banco foi vendido. Ou melhor, “foi dado”, diz Luís Marques Mendes, que afasta qualquer tom pejorativo perante a solução que foi encontrada para o banco que resultou da resolução do BES. O comentador diz que a solução foi a menos má. E que o Governo resolveu um problema, apesar das críticas dos restantes partidos, mesmo os que apoiam o Executivo de António Costa.

“O banco não foi vendido, foi dado. Não é pejorativo, Não havia melhor solução. É a solução menos má de todas”, disse Marques Mendes no seu espaço de comentário semanal na SIC. “Fizemos dois concursos e não houve melhor proposta” do que a que foi apresentada pelo Lone Star.

“Já tinha dito que ia ser igual à TAP”, notou. “Assim não se recebe nada, de outra forma tínhamos de pagar”, lembrou. “A liquidação seria um desastre. A alternativa da nacionalização, que acho um disparate, era fazer do Novo Banco um mega BPN”, salienta o comentador, destacando pontos positivos e negativos da operação anunciada no final da semana.

Pontos positivos:

  • Mesmo dando a imagem de que foi dado, há uma negociação que foi bem feita pelas autoridades portuguesas. Fizeram um ótimo trabalho;
  • Acabou a indefinição. Conseguiu-se fazer o negócio e atrair investimento estrangeiro. Itália, por exemplo, não consegue;
  • Diminuiu-se o mais possível o risco para os contribuintes. Mas não completamente;
  • Não há garantia de Estado;
  • Impôs-se que não são distribuídos dividendos durante oito anos. Deve ter sido difícil impor esta medida.

Pontos negativos:

  • O Estado ter 25% mas não ter direito de voto. São as regras, mas é complicado;
  • Outra questão negativa foi diminui o risco, mas há uma espada sobre os bancos e, no limite, sobre o país;
  • No plano social, é que a situação é mais negativa. Há a redução de balcões e trabalhadores. António Costa não disse, mas Bruxelas impôs que o fizesse. São menos 40 a 50 balcões e trabalhadores. Agora o teto é de 5.300 trabalhadores, mas o banco também já tem 5.500 trabalhadores.

Marques Mendes salienta que a solução é a menos má para Portugal, mas também vê pontos positivos para o Lone Star, o fundo norte-americano que, acredita, conseguiu fazer um bom negócio, ficando com um banco com elevado potencial. “Também é bom negócio para a Lone Star, apesar dos dividendos”, diz.

O fundo fica com um “banco que tem potencial junto das PME, que é bem gerido por António Ramalho, que em princípio vai manter-se”, diz. E agora com um acionista como este, tem potencial”, nota.

Governo fecha mais um dossiê

O comentador fez também a análise política à operação. Para o Governo é boa a conclusão da operação já que lhe permite “fechar mais um dossiê” no setor financeiro, depois da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD). “Falta apenas o banco mau” que, diz, ainda não se percebeu se avança ou não.

O Governo foi criticado pelo negócio por todos os partidos, mas Marques Mendes diz que têm todos que ter cuidado. PSD e CDS percebo que questionem, mas devem ter cuidado. Aos olhos das pessoas são críticas que não são muito credíveis” já que tentaram vender o banco e não conseguiram. Além disso, quem negociou a venda foi Sérgio Monteiro.

Quanto ao BE e ao PCP, Marques Mendes lembra que “se este negócio fosse no anterior governo dizia-se que era vendido ao desbarato, a um fundo abutre. Agora diz, mais baixinho. BE e PCP enfrentam custos políticos”, refere. Porquê? Porque António Costa tem BE e PCP no bolso.

“Criticam a descida do défice, mas aprovam, criticam a venda do Novo Banco, mas… Estão condicionados. Vivem em pânico de se fizerem algo mais duro, António Costa provoque uma crise e possa convocar eleições e ficar com a maioria absoluta”, ainda para mais num contexto que Marques Mendes vê como muito positivo para Costa.

Crescimento abre a porta à maioria absoluta

“Acho que este ano vai ser um dos melhores anos de crescimento económico, As previsões do Banco de Portugal apontam nesse sentido. Vamos ter mais crescimento e melhor crescimento, com o PIB mais perto de 2%, as exportações a crescer e o desemprego a cair. É um melhor crescimento puxado pelo investimento e pelas exportações. É mais saudável e sustentável”, nota.

“Isto é um ciclo económico mais favorável a António Costa e ao PS. Isto levanta um problema sério ao PSD e CDS, mas também BE e PCP. António Costa tem condições para chegar à maioria absoluta. É difícil, mas ele vai tentar”, acredita. PSD e CDS podem ficar afastados do poder durante oito anos, já BE e PCP podem perder relevância.

 

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