Fintech: A “uberização dos serviços financeiros”

Hélder Rosalino, do Banco de Portugal, considerou que as fintech representam "a uberização dos serviços financeiros". João Vasconcelos, secretário de Estado, diz que Portugal pode liderar a mudança.

A conferência NEWmoney, organizada pelo ECO e que decorre na manhã desta segunda-feira no Museu do Dinheiro (Lisboa), arrancou com o reconhecimento, por parte do Governo e do Banco de Portugal, da importância do papel das fintech na transformação digital do setor tecnológico em Portugal e no mundo.

Fintech é o termo que descreve as startups que desenvolvem tecnologias inovadoras capazes de mudar o paradigma da banca e da finança. Sobre o tema, Hélder Rosalino, administrador do Banco de Portugal, aproveitou a intervenção inicial para referir que “o Banco de Portugal tem dedicado atenção aos temas da banca digital” e que já “criou um grupo de reflexão interno e multidisciplinar” para avaliar estes temas da desmaterialização do dinheiro. Entre eles, a regulação e supervisão, a cibersegurança e a gestão de reservas.

É um tema central da estratégia do Banco de Portugal para os próximos anos“, assumiu Hélder Rosalino. Mais à frente, indicou que “é reconhecido que as fintech assumem um papel ativo no incremento digital de soluções financeiras”. “Estão em crescimento e vieram para “mudar as instituições”, sublinhou.

A “uberização dos serviços financeiros”

Foi Hélder Rosalino quem recordou o conceito, citando “vários autores”: esta transformação digital é a “uberização dos serviços financeiros”, disse, aludindo às mudanças que a Uber está a desencadear no setor dos transportes. “É neste contexto que nós estamos. Estamos é muito no início”, acrescentou.

Sobre os riscos, o administrador do Banco de Portugal apontou que, entre tantas startups a desenvolver tecnologia, “não é certo que a maior parte venha a sobreviver”, “não é ainda claro que áreas de negócio vão prosperar” e também “não é certo como o sistema bancário vai integrar esta nova realidade”. Concluiu, indicando que este “é um tema de maior relevância para o Banco de Portugal”.

Facebook contactou Banco de Portugal

João Vasconcelos, secretário de Estado da Indústria, também interveio neste painel inicial e avançou que o Facebook já terá contactado o Banco de Portugal no sentido de obter licenciamento para operar no setor: “O Facebook pediu uma licença bancária ao Banco de Portugal“, disse o governante.

Sobre a conferência do ECO, João Vasconcelos referiu que “Portugal pode estar na linha da frente” do setor das fintech e que tem “a certeza de que os passos mais difíceis já foram dados”. “Falta o fine tune“, acrescentou.

“Há aqui um esforço que é preciso fazer do lado do legislador. Não é só do regulador. Não é fácil o legislador acompanhar [toda esta transformação]. É um desafio que o Governo assume e vai acompanhar”, indicou o secretário de Estado. Por fim, João Vasconcelos desafiou a criação de “um grupo de trabalho com o Banco de Portugal, com a Autoridade Tributária, com startups”, entre outros players no sentido de perceber como alavancar o progresso e perceber como Portugal o pode liderar.

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