Draghi não está impressionado com a inflação. Estímulos são para manter

A inflação tem estado a evoluir no sentido da meta de 2% do BCE, mas Mario Draghi acredita que "um apoio continuado à procura continua a ser essencial".

A inflação na Zona Euro já chegou a tocar na meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE), em fevereiro, mas o presidente do banco central não está impressionado. Para Mario Draghi, ainda não há razões que justifiquem o alívio do programa de estímulos monetários que tem sido implementado até agora.

Na abertura de uma conferência a decorrer, esta quinta-feira, em Frankfurt, Mario Draghi referiu que “é claro que um apoio continuado à procura continua a ser essencial“, ainda que a ameaça de deflação já esteja fora da mesa.

Contudo, a evolução ainda não é suficiente. Em fevereiro, a inflação na Zona Euro fixou-se nos 2%, sobretudo graças à evolução dos preços dos combustíveis, mas voltou a desacelerar para 1,5% em março. Apesar desta desaceleração, a evolução da inflação tem sido suficiente para que se levantem vozes a pedir uma redução gradual do programa de compra de dívida levado a cabo pelo BCE.

As declarações de Mario Draghi, que surgem no mesmo dia em que o BCE vai divulgar as atas da última reunião de política monetária, deixam antever qual será a resposta do BCE a estes pedidos.

Até agora, o BCE tem comprado títulos de dívida dos países da Zona Euro a um ritmo de 80 mil milhões de euros por mês. A partir deste mês, e até ao final do programa (que está previsto terminar no final do ano) o ritmo de aquisição baixa para 60 mil milhões de euros por mês. Em Portugal, o BCE detinha, no final de março, mais de 26 mil milhões de euros em títulos de dívida nacional.

Estas compras vão continuar até que se verifique “um ajustamento sustentado com o ritmo da inflação consistente com o objetivo“, assegurou Draghi. Ao mesmo tempo, “as taxas de juro continuarão no nível atual ou mais baixas durante um período de tempo extenso“.

Antes de ser feita qualquer alteração — quer às taxas de juro, quer às compras de dívida — é preciso “criar confiança suficiente de que a inflação convergirá” para o objetivo a médio prazo do BCE e “aí se manterá, inclusivamente com menos apoios das condições de política monetária”, concluiu o presidente do BCE.

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