BCE compra 663 milhões de dívida portuguesa. Mas é pouco

Aquisições de dívida em março voltaram a ficar pela metade da meta. Segundas o BPI, devem restar quatro mil milhões de euros em obrigações nacionais para o BCE comprar até final do programa.

Pelo terceiro mês consecutivo, as compras de obrigações portuguesas por parte do Banco Central Europeu (BCE) ficaram abaixo de metade do objetivo implícito na participação de Portugal na chave de capital do BCE, numa altura em que o mercado secundário nacional continuar a revelar sinais de falta de liquidez na sequência do volume de aquisições no âmbito do plano de estímulos que a instituição implementou em dezembro de 2015.

O banco central comprou 663 milhões de euros em dívida portuguesa em março, ligeiramente acima do mês anterior. Ainda assim, desde o início do ano, as compras do BCE têm ficado abaixo de metade de 1.400 milhões de euros mensais, a meta determinada em função da chave de capital junto da instituição.

No total, a instituição liderada por Mario Draghi detinha mais de 26 mil milhões de euros em títulos de dívida nacionais no final de março.

Os analistas têm apontado o menor ritmo de compra do BCE como uma das razões para o agravamento das taxas de juro de Portugal. Segundo as estimativas do BPI Research, o banco central dispunha de 6,3 mil milhões de euros em obrigações nacionais para compra no início do ano, dos quais dois mil milhões já foram adquiridos no primeiro trimestre. Ou seja, restam pouco mais de quatro mil milhões em obrigações disponíveis no âmbito do programa de compras.

O BCE esteve a comprar obrigações dos países da zona euro a ritmo mensal de 80 mil milhões de euros. Esse ritmo de aquisição vai baixar para 60 mil milhões de euros por mês a partir de abril até final do programa, previsto para terminar no final do ano.

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