Draghi não vê recessão. Mas abrandamento económico “pode durar mais tempo que o esperado”

Presidente do BCE salientou riscos geopolíticos que põem em causa a economia europeia. Brexit, guerra comercial e negação da globalização ameaçam prolongar abrandamento económico na região.

Mario Draghi não vê a economia europeia a caminho de uma recessão, mas sinalizou que pode estar perante um abrandamento económico que “pode durar mais tempo do que o esperado“. Aliás, os últimos sinais que o Banco Central Europeu (BCE) tem recolhido apontam para uma fragilização do momento económico da região, que levou o italiano a dizer que “não vai ser complacente” com qualquer retração da atividade económica.

“Isto é uma queda temporária ou estamos a avançar para uma recessão? É um abrandamento que não nos conduz a uma recessão, mas pode durar mais tempo do que o esperado”, disse o presidente do BCE, que foi esta terça-feira ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, para discutir com os eurodeputados a atividade do supervisor em 2017.

Para Draghi, é preciso pensar nos fatores que levaram a este abrandamento para avaliar quanto tempo se poderá manter um travão sobre a economia. “Abrandamento económico na China e aquilo a que chamamos de incertezas geopolíticas, que passam pelo Brexit, tensões comerciais com a China e a negação do multilateralismo”, apontou o responsável.

“Alguns destes pontos estão a melhorar, mas outros estão a piorar”, acrescentou ainda o presidente do BCE, sublinhando, ainda assim, que estas ameaças criam insegurança entre os agentes económicos. “No futuro próximo, isto tem um custo na confiança das empresas e dos consumidores. Estamos a monitorizar a situação“, frisou Mario Draghi.

Antes, no seu discurso de abertura da sessão, o italiano revelou que o BCE tem vindo a detetar fraquezas económicas que há alguns meses não esperava encontrar. Adiantou, porém, que o banco central vai dar uma resposta assertiva para combater essas fragilidades.

“Os desenvolvimentos económicos mais recentes foram mais frágeis do que o esperado e as incertezas, nomeadamente relacionadas com fatores globais, continuam proeminentes. Não há margem para qualquer complacência”, considerou Mario Draghi.

Nesse sentido, assegurou que o BCE vai continuar com uma política monetária acomodatícia, afirmando que a autoridade monetária vai continuar a comprar dívida pública a um ritmo mensal de 50 mil milhões de euros nos próximos dois anos, isto no âmbito da política de reinvestimentos que adotou após o fim das aquisições líquidas de ativos na Zona Euro.

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