Efeito Draghi faz brilhar bolsas. Euro e dívida deslizam

Draghi fez disparar as ações, animando as bolsas, incluindo a de Lisboa, mas também as obrigações soberanas, atirando os juros da dívida para mínimos. E o euro foi atrás.

Draghi voltou a fazer um discurso que vai ficar para a história. Sete anos depois do “whatever it takes“, o presidente do Banco Central Europeu revelou que está preparado para avançar com novas medidas de estímulo à Zona Euro. O anúncio foi feito em Sintra, mas fez eco em todo o mundo, chegando com estrondo aos mercados. Fez disparar as ações, animando as bolsas, incluindo a de Lisboa, mas também as obrigações soberanas, atirando os juros da dívida para mínimos. E o euro foi atrás.

O BCE vai avançar com estes novos estímulos, a menos que a situação económica melhore de tal forma que entenda que já não é necessário, algo que não se prevê que aconteça no horizonte. E Mario Draghi está disposto a tudo, incluindo a descida dos juros na região, numa altura em que as taxas estão já em mínimos históricos.

Estas declarações no Fórum do BCE, o último de Draghi enquanto presidente da autoridade monetária do euro, viraram os mercados do avesso. Num dia que estava a ser de quedas nas principais praças mundiais, as palavras do italiano levaram o Stoxx 600, o índice que agrega as maiores empresas da região, a valorizar 1,8%.

A generalidade dos mercados acionistas europeus apresentou ganhos acima de 1%, com Lisboa a acompanhar a tendência ao valorizar 1,22% para os 5.125,30 pontos, com apenas três cotadas em queda.

A Mota-Engil liderou os ganhos (subiu mais de 3%), mas foram a Jerónimo Martins, BCP e Galp Energia que deram o grande impulso ao desempenho da bolsa nacional. A retalhista somou 2,43%, já a Galp Energia ganhou 1,83%, ligeiramente mais do que a EDP que fechou a subir 1,47%.

O BCP beneficiou do comportamento das obrigações soberanas. Draghi fez disparar o valor das obrigações do euro — a que bancos como o liderado por Miguel Maya têm aumentado a exposição –, o que levou à queda dos juros no mercados secundário. A taxa das Bunds tocou pela primeira vez os -0,3%, enquanto a dívida de França e da Suécia a dez anos chegou a 0%. A taxa de Portugal recuou até perto dos 0,5%.

Euro dá trambolhão. Trump não gosta

As palavras de Draghi tiveram impacto no mercado cambial, com a moeda única a registar uma queda de 0,3% para os 1,1196 dólares, evolução que mereceu críticas de Trump às quais o presidente do BCE respondeu de forma curta e seca: “nós não temos como alvo a taxa de câmbio”.

“Temos o nosso mandato. O nosso mandato é a estabilidade de preços, definida por uma meta de inflação perto, mas abaixo, de 2% no médio prazo. Ainda agora disse que estamos prontos para usar todos os instrumentos para cumprir este mandato. E nós não temos como alvo a taxa de câmbio”, disse Mario Draghi, sem dizer mais uma palavra, perante algum riso da audiência sobre o seu silêncio.

(Notícia atualizada às 17h05 com mais informação)

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