Esquerda insiste que venda do Novo Banco vai ter custos para os portugueses

  • ECO
  • 8 Abril 2017

PCP e Bloco consideram que os portugueses vão ser chamados a pagar a fatura da venda do Novo Banco ao Lone Star. Catarina Martins insiste na nacionalização.

O negócio está quase fechado mas os partidos de esquerda insistem que os portugueses serão chamados a pagar a fatura. O Bloco de Esquerda vai mais longe e considera que ainda se vai a tempo para discutir outra solução que, na sua opinião passa pela nacionalização do banco.

No entanto, estas declarações surgem depois de o Expresso (acesso pago) ter avançado que Bloco de Esquerda e o PCP não vão bloquear uma nova injeção de capital que o Novo Banco venha a precisar por parte do Fundo de Resolução e já estão preparados para aprovar estes empréstimos no Parlamento.

“O Bloco de Esquerda considera que esta entrega do Novo Banco (NB) ao fundo Lone Star é um erro, que terá custos muitos avultados no futuro, e portanto o BE não concorda nem viabilizará esta medida”, disse este sábado Catarina Martins, à margem da apresentação do candidato do partido à Câmara Municipal de Sintra, na Biblioteca Ruy Belo, em Queluz, nos arredores de Lisboa, citada pela Lusa.

“Mantemos o que sempre dissemos: para entregar o NB à Lone Star, perdendo o dinheiro que lá foi posto, e ainda por cima, ficando com a hipótese de perdas futuras, é algo que o BE nunca viabilizará”, explicou a coordenadora do Bloco, acrescentando que já fez chegar ao primeiro-ministro a posição do partido.

A líder do BE defende outro caminho: “Discutir uma outra solução, ainda que tenha algum custo agora, mas que nos permita, no futuro, reaver o que já foi posto no banco, e não ter perdas para próximos governos, é algo para o qual o BE está disponível e essa solução chama-se nacionalização”.

Discutir uma outra solução, ainda que tenha algum custo agora, mas que nos permita, no futuro, reaver o que já foi posto no banco, e não ter perdas para próximos governos, é algo para o qual o BE está disponível e essa solução chama-se nacionalização.

Catarina Martins

Coordenadora do Bloco de Esquerda

A nacionalização do NB, referiu a líder do Bloco, “foi já defendida por pessoas do partido Socialistas e até pelo seu porta-voz [João Galamba], “com contas, que mostrava que era a solução mais barata que protegia a economia, o próprio ministro das Finanças [Mário Centeno] chegou a pôr essa solução em cima da mesa”.

PCP critica o “passar a fatura ao povo”

Por seu turno, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, assegurou este sábado que os comunistas serão sempre contra qualquer solução que passe por vender o Novo Banco “a grupos privados e passar a fatura ao povo”.

“Todas as decisões que visem integrar o Novo Banco no setor público bancário contarão com a nossa força e a nossa iniciativa. Para vender o banco a grupos privados e passar a fatura ao povo, sabem que contarão com a nossa oposição”, afirmou o secretário-geral, no discurso de encerramento do encontro nacional do PCP sobre as eleições autárquicas de 1 de outubro, citado pela Lusa.

Todas as decisões que visem integrar o Novo Banco no setor público bancário contarão com a nossa força e a nossa iniciativa. Para vender o banco a grupos privados e passar a fatura ao povo, sabem que contarão com a nossa oposição.

Jerónimo de Sousa

Secretário geral do PCP

Para o líder comunista, o processo de venda do Novo Banco confirma que “a banca ou é pública ou é entregue aos estrangeiros“. “A venda do Novo Banco que o governo PS quer agora concretizar é a posição defendida desde o início por PSD e CDS, é uma opção que prejudica país e o povo e que o PCP rejeita”, sublinhou.

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