Fitch vê progressos na banca portuguesa. Malparado é a grande dúvida

Agência de notação diz que Portugal está a resolver os problemas dos seus bancos. Ainda assim, o elevado nível de malparado continua a ser a grande dúvida em relação ao setor.

Caixa Geral de Depósitos (CGD) capitalizada. Novo Banco quase, quase vendido. Para a agência Fitch, Portugal está a realizar progressos na resolução dos problemas dos seus bancos. Ainda assim, o elevado nível de malparado continua a ser a grande incógnita. Assim como os custos adicionais que o Estado e os bancos poderão ter de vir a assumir com o banco de transição.

“Os esforços de Portugal para resolver os problemas no setor bancário continuam a registar progressos graduais. A venda do Novo Banco deverá ajudar a clarificar a exposição do soberano ao setor se for concluída como planeado, e segue-se à recapitalização da CGD”, refere a agência de notação financeira norte-americana.

“Mas o resultado das iniciativas para lidar com o elevado nível de crédito malparado continuam incertas e custos adicionais para o soberano ou para o setor bancário não podem ser descartadas”, salienta ainda num comunicado publicado esta terça-feira.

Longe de ser um problema exclusivamente português, o elevado nível de crédito em risco de incumprimento continua a afetar de forma particular o negócio bancário em Portugal. No final do ano passado, o rácio de empréstimos non-performing situou-se em 17,2%, o que quer dizer que por cada 100 euros emprestados, os bancos estavam a perder 17 euros. Um valor bastante superior à média de 5,1% na banca europeia, cuja fatura com malparado ascendia a um bilião de euros.

No sentido de evitar que esta ameaça ao setor seja um travão à recuperação da economia da região, os líderes europeus estão a preparar uma resposta conjunta, em moldes ainda por definir. “Tendo em conta a dimensão, o problema do malparado não irá resolver-se por si, mesmo num contexto de recuperação da economia”, referia uma carta emitida por Malta, que tem a presidência rotativa da União Europeia (UE), na semana passada. “Uma abordagem multifacetada, que combine ações tanto a nível nacional como, possivelmente, europeu, será a forma mais adequada para lidar com este problema”.

Novo Banco pode ajudar confiança

Na nota onde dá conta dos progressos na capitalização da CGD, a Fitch avalia ainda o processo de venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star. “Os últimos desenvolvimentos são globalmente positivos”, dizem os analistas. “A CGD está em melhor posição para melhorar a rentabilidade e a venda bem sucedida do Novo Banco poderá melhorar o sentimento dos investidores em relação ao setor bancário”, acrescenta.

Sobre o Novo Banco, a Fitch salienta os riscos de execução no acordo alcançado entre o Fundo de Resolução e o Lone Star. “Precisa de aprovação da parte das autoridades da União Europeia e a obtenção de 500 milhões de euros em capital a partir de da troca voluntária de obrigações, cujos detalhes ainda estão a ser discutidos”, refere a agência de notação financeira.

Adicionalmente, indica a Fitch, o “Governo pode ter de fornecer liquidez através de um novo empréstimo ou de uma garantia, o que poderá ter impacto nas contas públicas”, caso o Fundo de Resolução tenha de injetar mais capital no antigo BES.

(Notícia atualizada às 17h13)

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